A aprovação do fim da jornada 6×1 na Câmara dos Deputados provocou reação de entidades representativas da indústria, comércio e serviços em Mato Grosso, que demonstraram preocupação com os impactos econômicos e operacionais da proposta em discussão no Congresso Nacional. A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT) defendem que o tema seja debatido com cautela e baseado em estudos técnicos.
Em nota, a Fiemt afirmou que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode gerar impacto anual de até R$ 5,1 bilhões na folha de pagamento da economia mato-grossense, considerando custos com horas extras. Em um cenário de novas contratações, o impacto estimado seria de R$ 3,4 bilhões. O levantamento realizado pelo Observatório de Mato Grosso do Sistema Fiemt também aponta perda superior a 155 milhões de horas de produção por ano no estado.
Segundo a entidade, cerca de 167 mil trabalhadores da indústria seriam diretamente impactados pela mudança, com aumento de custo anual estimado em até R$ 1,2 bilhão para o setor. “Isso irá gerar um aumento no custo na produção, com impacto para o consumidor final e toda sociedade”, destacou a federação. A Fiemt ainda argumenta que estados como Mato Grosso enfrentam desafios ligados à logística, disponibilidade de mão de obra e competitividade.
A entidade industrial também defendeu que qualquer mudança na jornada de trabalho esteja associada a medidas de aumento de produtividade, inovação, qualificação profissional e modernização das relações trabalhistas. Outro ponto levantado foi o momento da discussão. “Além disso, não deve ser realizada em meio ao pleito eleitoral”, ressaltou a federação.
Já a Fecomércio-MT alertou que uma alteração uniforme da jornada pode provocar impactos principalmente para pequenos negócios e setores que dependem de funcionamento contínuo. A entidade destacou que comércio, serviços e turismo possuem características específicas, como sazonalidade, horários estendidos e necessidade de atendimento presencial, que podem não ser contempladas pela proposta de redução da carga horária.
De acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio-MT (IPF-MT), 784,3 mil trabalhadores em Mato Grosso atuam atualmente acima de 40 horas semanais, o equivalente a 65% dos empregados celetistas do estado. No comércio, o percentual chega a 91%, enquanto no setor de serviços alcança 74%. A Fecomércio-MT estima que os custos adicionais relacionados à reorganização das jornadas possam chegar a R$ 1,4 bilhão por mês. A entidade defende que mudanças na jornada ocorram por meio de convenções coletivas de trabalho, “respeitando as particularidades e necessidades de cada segmento representado”.

