Produtores rurais vinculados à Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso) receberão cerca de R$ 6 milhões em bonificações pela comercialização de créditos de soja sustentável da safra 2024/2025. O montante é resultado da certificação internacional RTRS (Round Table on Responsible Soy), que valida propriedades que cumprem rigorosos critérios ambientais, sociais e de gestão econômica.
O mercado de créditos de soja
O sistema funciona de forma direta: cada tonelada de soja produzida sob as normas da RTRS gera um crédito de sustentabilidade. Na última safra, os associados do CAT Sorriso produziram 686 mil toneladas de soja responsável. Esses créditos foram adquiridos por empresas globais, com destaque para compradores da Holanda e da Argentina, interessados em garantir cadeias de suprimentos livres de desmatamento e com responsabilidade social.
Para obter o selo, o produtor deve atender a 108 exigências, que incluem:
- Rastreabilidade total da produção;
- Preservação de áreas sensíveis e respeito à legislação ambiental;
- Uso responsável de defensivos e insumos;
- Condições de trabalho dignas e relacionamento com a comunidade local.
Investimento no bem-estar do trabalhador
Mais do que um incremento financeiro, o bônus tem sido revertido em melhorias estruturais nas propriedades. Nas fazendas São José (Sorriso) e Buriti (Peixoto de Azevedo), a produtora Geisa Carvalho Riedi explica que os recursos já possuem destino certo: a modernização de alojamentos, cantinas e a aquisição de novos uniformes e equipamentos para os colaboradores.
“A certificação gera confiança, do colaborador ao comprador. Para os funcionários, representa a segurança de um ambiente de trabalho alinhado à legislação e focado no bem-estar”, destaca Geisa, que é certificada desde 2022.
Salto na certificação e agricultura regenerativa
Em uma década, o número de fazendas certificadas pelo CAT Sorriso saltou de 9 para 53, um crescimento sustentado por consultoria técnica e suporte na organização documental e comercial. De acordo com a associação, todas essas propriedades adotam hoje práticas de agricultura regenerativa.
O foco dessas fazendas inclui o plantio direto e sistemas que favorecem a saúde do solo e a retenção de água. Essas técnicas, além de aumentarem a produtividade, transformam as lavouras em aliadas contra as mudanças climáticas por meio do sequestro de carbono.
“Nossos associados mostram que é possível produzir em diferentes escalas com respeito ao meio ambiente e às normas brasileiras”, afirma a presidente do CAT Sorriso, Márcia Becker Paiva.
A expectativa da entidade é que o modelo de “soja responsável” continue atraindo novos produtores, consolidando Mato Grosso como referência em agricultura de baixo carbono no cenário internacional.

