Operação integrada acompanha ameaças como ataques cibernéticos, bloqueios de rodovias e tentativas de grupos organizados de influenciar a indicação de candidatos
A superintendência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em Mato Grosso confirmou o monitoramento de possíveis interferências externas e da influência de facções criminosas nas eleições gerais deste ano. O anúncio foi feito pelo superintendente regional do órgão, Luiz Felipe Midon de Melo, nesta terça-feira (26), durante coletiva de imprensa. As ações integram um esforço conjunto entre o serviço de inteligência brasileiro e as demais forças de segurança do país.
De acordo com o superintendente, a agência realizou um estudo aprofundado para mapear os principais riscos ao processo eleitoral democrático. Além da espionagem e da interferência estrangeira, a Abin monitora mobilizações sociais com potencial de afetar o pleito, o que inclui ameaças de ataques cibernéticos aos sistemas institucionais, fechamento de rodovias e atentados contra setores estratégicos da infraestrutura pública. Detalhes sobre países sob investigação não foram divulgados por razões de sigilo.
No âmbito da segurança interna, Melo destacou que o avanço das facções criminosas sobre territórios específicos e as tentativas de grupos organizados de influenciar a escolha e votação de candidatos são prioritários na rotina de trabalho. O monitoramento em Mato Grosso é executado por meio da integração entre a comunidade de inteligência federal — liderada pela Abin e composta por Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Exército Brasileiro, Marinha, Ibama e Receita Federal — e os órgãos estaduais coordenados pela Secretaria Adjunta de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).
A atuação conjunta resulta na produção diária de relatórios de inteligência sobre o comportamento dessas organizações criminosas no estado. O monitoramento busca antecipar e mitigar ocorrências semelhantes às registradas nos pleitos de 2022 e 2024, períodos em que parlamentares relataram restrições impostas pelo crime organizado para a realização de campanhas eleitorais em determinados bairros de Cuiabá, embora as denúncias formais não tenham obtido comprovação jurídica posterior.



