Aumento da demanda por serviços de escoamento da safra agrícola e o encarecimento dos combustíveis em função de conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu elevam custo do frete em Mato Grosso e demais estados do Centro-Oeste. Dados divulgados pela Frete.com mostram que o frete rodoviário no Brasil subiu 6,93% em abril na comparação com março, alcançando R$ 0,431 por tonelada por quilômetro rodado, maior patamar registrado neste ano.
Segundo o Índice Frete.com de Preços (IFP), a alta acumulada nos últimos 12 meses chega a 16,8%. Em abril de 2025, o valor médio era de R$ 0,369 por tonelada/km rodado. O avanço reflete principalmente a forte movimentação logística provocada pela safra agrícola brasileira, especialmente nas regiões produtoras de grãos, como Mato Grosso, maior produtor nacional de soja e milho.
Entre as regiões brasileiras, o Sudeste apresentou o maior valor médio do frete em abril, atingindo R$ 0,472 por tonelada/km rodado. O Sul aparece na sequência, com R$ 0,417, seguido pelo Nordeste, com R$ 0,368. No Centro-Oeste, região estratégica para o agronegócio, o valor médio chegou a R$ 0,322, enquanto o Norte registrou R$ 0,310. Apesar de apresentar valor inferior ao Sudeste, o Centro-Oeste enfrenta pressão crescente devido à elevada demanda por transporte durante o pico da colheita.
O levantamento também aponta diferenças significativas entre os tipos de carroceria utilizados no transporte de cargas. Os caminhões baú registraram o maior preço médio de frete em abril, alcançando R$ 0,677 por tonelada/km rodado. Já os veículos graneleiros e caçambas, diretamente ligados ao transporte da produção agrícola, acumulam altas expressivas em 2026. Entre janeiro e abril, os graneleiros subiram 12,5%, enquanto as caçambas avançaram 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com Charles Monteux, CRO da Frete.com, a combinação entre o aumento da demanda logística e os impactos internacionais sobre os combustíveis tem pressionado toda a cadeia de transporte no país. “A movimentação da safra agrícola continua exercendo pressão importante sobre a logística nacional, especialmente em rotas de longa distância e corredores estratégicos de exportação, além dos impactos do cenário geopolítico”, afirmou.

