Opinião

A CORAGEM DE MERGULHAR EM SI

“Se desejo transformar algo em minha vida, tenho de abraçar o que for preciso, inclusive a dor do processo”. Devi Titus nesta frase expressa um ponto significativo em nossas vidas.

Sabemos da importância de vivenciar todos os sentimentos. Em primeiro lugar saber qual o sentimento que está imperando dentro de si, falo em aprender a nomear os sentimentos. Quando somos crianças e ficamos tristes por algo sentimos um vazio no peito – a angústia – que poderá ser confundida com a fome. A criança poderá alimentar-se neste momento para preencher esse vazio.

Com o passar da idade e conforme a experiência vamos detectando quando é fome realmente, e quando é tristeza. Passamos a perceber também que quando encontramos alguém próximo que nos escute de forma continente sentimos alívio e a sensação de vazio passa. Bem como ao ficarmos quietos no nosso canto podemos recarregar a bateria. O diálogo consigo mesmo é curativo para as dores da vida.

Uma questão é saber que todos nós temos nossas fragilidades que devem ser tratadas no privado. E que algumas ou muitas situações nos assustam, nos constrangem, nos entristecem, intensificam sentimentos de raiva… O que vem do outro pode sim nos elevar, nos ser indiferente ou nos detonar. Principalmente as pessoas mais próximas, de maior valência afetiva. Assim identificar o que é teu e o que vem do outro torna-se crucial nesse processo.

Quanto maior o conhecimento de si mesmo melhor será a auto estima e o autocontrole. Esta capacidade de acolher a própria dor emocional levará ao encontro de soluções saudáveis nos desafios que a vida traz.

Lembrando que cuidar da dor é diametralmente oposto a cultuar a dor. Quando cultuamos a dor ficamos fixados – obcecados e interferimos de forma não saudável ao processo de cura psíquica.

Para você ter uma ideia; quando cultuamos a dor a sensação é como se você estivesse patinando em círculos ou dentro de uma areia movediça.

Neste processo entra a importante função da razão. Ao relativizarmos as situações, a chance de ter uma saída positiva é infinitamente maior. Assim, toda emoção deve ser sustentada pela razão.

A vida em grupo exige estabelecimento de limites. Interação saudável com o meio externo é estar internamente equilibrado. Em pesquisas realizadas em ambientes de trabalho observa-se que as demissões ocorrem mais pelas dificuldades interacionais e menos por falta de competência ou inteligência.

Penso ser bem importante em momentos que estamos mais relaxados, principalmente antes de dormir, colocarmos esta pergunta para si mesmo: o que realmente é importante na minha vida? Qual a minha prioridade? Sempre que possível jogarmos perguntas ao inconsciente que com certeza nos ajudará nas escolhas durante nossa vida.

Funcionando como um pacto com você mesmo: posso contar comigo/posso contar com meu melhor amigo que é o ‘meu interior’. Nosso psiquismo responde de forma verdadeira.

Importa muito estarmos alinhados com nossa verdadeira essência. Cuide bem de você!

Ireniza Canavarros Arruda
Psicóloga – CRP 00086
• Formação profissional pelo IPPIA Instituto de Psiquiatria, Psicanálise e Psicoterapia São Paulo.

Ireniza Canavarros de Arruda

About Author

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Você também pode se interessar

Opinião

Dos Pampas ao Chaco

E, assim, retorno  à querência, campeando recuerdos como diz amúsica da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul.
Opinião

Um caminho para o sucesso

Os ambientes de trabalho estão cheios de “puxa-sacos”, que acreditam que quem nos promove na carreira é o dono do