Orientação jurídica sugere lançamento apenas após o pleito; produção também é alvo de escrutínio por investimento de R$ 75 milhões
A estreia do filme “Dark Horse”, obra cinematográfica inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, corre o risco de ser adiada. A produtora responsável pelo longa avalia postergar o lançamento para o período pós-eleitoral, seguindo uma recomendação jurídica que visa afastar o projeto do acalorado debate político deste ano.
A orientação partiu do advogado Ricardo Sayeg. O objetivo da medida é blindar o longa-metragem de questionamentos sobre uma possível interferência no cenário eleitoral, garantindo que o público e as autoridades encarem o projeto sob um viés estritamente cultural e artístico.
A decisão final sobre a alteração no cronograma ainda não foi batida. A empresa responsável pela película segue em tratativas com parceiros e coprodutores nos Estados Unidos para definir a nova data.
A polêmica dos R$ 75 milhões e a origem dos recursos
Para além das telas e do calendário de estreia, “Dark Horse” também se tornou alvo de discussões nos bastidores jurídicos devido aos altos valores envolvidos em sua concepção.
Documentos anexados a um processo judicial que investiga o Instituto Conhecer Brasil (ICB) — entidade ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora do filme — detalham as finanças da obra. A investigação central do caso apura supostos desvios de recursos em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.
O escrutínio financeiro sobre a produção do longa revelou os seguintes dados, baseados em uma perícia recente:
- O investimento real: A perícia apontou que o montante já injetado na obra alcançou a marca de R$ 75 milhões.
- Orçamento original x Especulação: O custo inicial aprovado era de US$ 16 milhões (cerca de R$ 89,7 milhões). O valor oficial é inferior aos R$ 134 milhões que chegaram a ser especulados anteriormente em reportagens sobre negociações com investidores.
- Dinheiro privado: O relatório pericial atestou, por meio da análise de contratos de investimento, comprovantes de remessas financeiras e extratos bancários, que a origem dos recursos destinados ao filme seria totalmente privada.
Enquanto o martelo sobre a data de estreia não é batido, o longa segue colecionando holofotes e ampliando a expectativa em torno de um dos lançamentos mais comentados do cinema nacional recente.


