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Justiça decreta perda do cargo de investigador condenado por morte de PM após briga em posto em Cuiabá

O policial civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves teve decretada pela Justiça a perda do cargo público após condenação pelo Tribunal do Júri pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, ocorrida em abril de 2023, em Cuiabá. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (18), após o acolhimento de embargos de declaração apresentados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que apontou omissão na sentença quanto aos efeitos extrapenais da condenação.

Os embargos foram apresentados pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, titular da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá e coordenador do Núcleo de Defesa da Vida da Capital. O Ministério Público sustentou que o réu utilizou sua condição de policial civil durante a ocorrência, configurando possível abuso de poder e violação de dever funcional, além de destacar que a pena aplicada superava um ano, requisito previsto em lei para a decretação da perda da função pública.

Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, reconheceu a omissão na sentença original e decidiu complementar a condenação sem alterar a pena já fixada pelo Tribunal do Júri. Na decisão, o magistrado afirmou que a perda do cargo não ocorre automaticamente, mas entendeu que, no caso, ficaram demonstradas circunstâncias incompatíveis com o exercício da atividade policial.

Segundo a sentença, provas produzidas durante o julgamento, incluindo depoimentos e imagens de câmeras de segurança, mostraram que o acusado estava armado, sob efeito de álcool e envolvido em uma situação de conflito. O juiz também destacou que Mario Wilson justificou portar arma de fogo em razão do cargo e chegou a tomar a arma da vítima sob alegação de averiguação, o que evidenciaria a vinculação da conduta à função policial.

Além da perda do cargo, o policial civil também foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio qualificado contra o investigador Walfredo Raimundo Adorno Moura Júnior, testemunha ocular do caso. A nova denúncia foi apresentada após informações reveladas durante o julgamento do Tribunal do Júri. Segundo o MPMT, Walfredo afirmou que também foi alvo de disparos efetuados por Mario Wilson, mas não havia relatado anteriormente por receio, já que o acusado era seu colega de profissão.

O crime aconteceu na madrugada do dia 27 de abril de 2023, em uma conveniência localizada na rua Estevão de Mendonça, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Conforme a denúncia, após uma discussão motivada por desentendimento e consumo de álcool, Mario Wilson efetuou disparos que mataram o policial militar Thiago de Souza Ruiz e, em seguida, teria atirado contra Walfredo, que conseguiu escapar sem ser atingido. O Ministério Público pede que o acusado seja levado novamente a julgamento pelo Tribunal do Júri pela tentativa de homicídio.

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