Sou defensor das instituições de um país mesmo sabendo que elas são falhas e que passam, muitas vezes, por crises. Esses momentos ruins são sempre patrocinados por autoridades e as principais causas são a vaidade e a ganância de homens e mulheres que as compõem.
A instituição brasileira que hoje está na berlinda é o STF. Os leitores mais velhos por certo se lembram de que há alguns anos (25, digamos) os membros de nossa suprema corte eram quase desconhecidos do público. Foi aí que decidiram transmitir pela TV as sessões de julgamento.
Creio que começava neste momento a fertilização das vaidades — defeitos que todos nós temos em diferentes graus de concentração.
O ministro Joaquim Barbosa, que se aposentou em 2014, fez grande sucesso na época. Poderia ter ajudado muito mais nos onze anos que ainda teria no Supremo. Não suportou a colheita das inimizades que plantou.
Para fazer cumprir a lei, como sempre quis, sobrou-lhe arrojo, mas faltou serenidade, virtude arisca, mas necessária para administrar um bom convívio social. Deu lugar à vaidade e a cultivou como poucos. A prepotência foi sua ferramenta de uso recorrente. Não suportava ouvir opiniões diferentes da sua.
Parece que o ministro não conseguiu tirar a roupa de promotor de justiça, que usava, para vestir a de julgador. Ela estava tão grudada ao corpo que não foi mais possível arrancá-la. O ímpeto condenatório do promotor ocupou o lugar da serenidade de que o juiz carece.
Depois, o STF entrou definitivamente nas conversas de boteco com os episódios do mensalão, da Lava-Jato e das decisões sobre prisão em primeira instância. Em seguida, os políticos puseram de vez o tribunal na mídia, recorrendo a ele para arbitrar suas frequentes contendas.
Hoje os jornais se ocupam do caso Master, que montou um enorme esquema de desvio de dinheiro, urdido por seu dono, Daniel Vorcaro. Entretanto, não se deve botar no mesmo balaio todos os ministros do STF, só porque alguns estariam envolvidos em negociatas com o banqueiro.
O mesmo ministro “herói” que teria salvado a democracia brasileira, agora aparece como vilão mancomunado com o banqueiro preso. O verbo está no condicional porque ainda não está definida sua culpa.
Meu ponto é separar as instituições dos seus membros. O Exército Brasileiro — instituição exemplar e admirada — sofreu um abalo no episódio do 8/1 porque alguns generais toparam participar na intentona, mas o comando não aderiu e o golpe foi contido.
Da mesma forma, a Justiça Eleitoral, a Anvisa, o Banco Central e a Polícia Federal, atacadas por governantes da esquerda e da direita, mantêm o prestígio e a confiança do povo.
Agora é a vez do STF de mostrar que alguns membros podem submergir, mas outros surgirão para manter a instituição. Já temos uma pequena amostra: o ministro André Mendonça, discretamente, tem mostrado que vai punir com rigor os envolvidos na fraude do Master.
O desafio é controlar as vaidades. São tantos os rapapés, salamaleques e louvores cercando Suas Excelências que, de tanto ouvi-los, acabam acreditando que são de fato excelentíssimos.
Renato de Paiva Pereira.


