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Moradores buscam ganhador da Mega-Sena no Rio: ‘Nervoso’

Um morador da Vila Cruzeiro, Zona Norte, conseguiu, com uma aposta simples, de R$ 3,50, ganhar sozinho o prêmio da Mega-Sena de R$ 107,9 milhões sorteado pela Caixa no último sábado. Na Penha, bairro onde a comunidade está localizada, o clima era de curiosidade para saber quem é o sortudo.

—Estou suando de nervoso só de saber que o prêmio saiu daqui. Não costumo apostar, mas, agora, me deu vontade. Estou curioso para saber quem é, se for meu amigo, vou pedir dinheiro emprestado — diz o promotor de vendas Cristiano Gomes, de 34 anos.

Em média, uma casa de dois quartos na Vila Cruzeiro pode custar cerca de R$ 50 mil. Quem estava na fila da Loteria Amigos da Sorte, na Penha, se dividia em quem quer sair da região ou permanecer por ali.

— Não faço ideia de quem seja o ganhador. Mas se eu ganhasse, não sairia daqui. Porém, compraria uma casa para minha família. Uma casa boa aqui na Penha custa quase R$ 400 mil, ainda sobraria muito dinheiro — planeja a técnica de enfermagem, Bianca Fernandes, de 31 anos, e moradora da Penha Circular.

— A Vila Cruzeiro é enorme e tenho certeza que o vencedor não vai se expor. Mas, hoje, todo mundo gostaria de ser ele. Eu nem ganhei, mas já fiz vários planos imaginários na minha cabeça. A primeira coisa que faria com o dinheiro seria comprar uma mansão para a minha família fora da comunidade, infelizmente, por questão de segurança mesmo. Eu também ajudaria minha universidade, a Uerj, que está passando por vários problemas financeiros — defende a estudante do 5º período de Comunicação Social e moradora do Complexo do Alemão, Larissa Rodrigues.

Se o dinheiro for aplicado na Poupança, renderia cerca de R$ 600 mil por mês.

— Minha mãe me contou que o vencedor é da comunidade e ficamos animadas. Quem mora lá não é privilegiado e merece muito. Eu não posso jogar pois sou menor, mas minha mãe poderia ganhar. Ela poderia abrir uma empresa, comprar casas e colocar para alugar, tudo que gerasse dinheiro valeria a pena — diz a estudante do 1º ano do ensino médio, Yasmin Quieto, de 15 anos.

Se o sortudo da Vila Cruzeiro acertou as dezenas sorteadas, 09, 26, 29, 42, 43 e 45, há quem tenha errado todos os números.

— Costumo jogar e apostei nesse sorteio, mas não acertei nenhum número. Se existisse um prêmio para quem não acerta nada, eu ganharia sempre. Essa é minha sugestão para a Caixa — brinca o operador de máquinas, de 30 anos, Marcos Paulo Silva.

Em todo o Brasil, foram feitas 44.037.729 apostas para o sorteio que valia os R$ 107,9 milhões. O novo milionário fez uma aposta simples, de R$ 3,50.

— Quando é para ser, não tem jeito. Eu tinha certeza que iria ganhar esse prêmio, fiz 40 apostas. Chegou o dia da sorte para essa pessoa, um dia chega o meu. Se eu ganhasse, compraria uma fazenda, não para descansar. Isso de ficar parado faz a pessoa morrer mais rápido, eu iria criar gado — planeja o motorista de caminhão, de 67 anos, Jeronimo Wanderlei.

Quem também estava na fila da Lotérica Vilaça da Penha procurava quem ganhou o prêmio e planejava o que faria com o dinheiro.

— Se eu ganhasse isso tudo, daria uma condição de vida melhor para o meu filho, que tem paralisia cerebral. Se o ganhador ajudasse ele, seria muito bom. Gasto quatro pacotes de fraldas por semana, cada um custa R$ 17 — fala a costureira e moradora da Penha Ivone Amaral, mãe do André Luis, de 17 anos.

Esse foi o maior prêmio pago este ano pela Loteria. A aposta de R$ 3,50 foi feita na Lotérica Cruzeiro da Sorte, dentro da Vila Cruzeiro. O dono do estabelecimento, Jorge Fumaux, diz que, mesmo com o final do mês, quando o movimento é menor, as apostas aumentaram 40%. Só na parte da manhã dessa segunda-feira, cerca de 400 pessoas apostaram na próxima Mega-Sena.

—Estou muito satisfeito que o ganhador é da comunidade, as pessoas aqui são maravilhosas. Ao invés de apenas um vencedor, mais gente da Vila Cruzeiro poderia ter levado esse dinheiro, seria justo — conta Jorge Fumaux.

O valor já foi pago ao ganhador na segunda-feira.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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