DESTAQUE 2 Política

“Terminou em pizza”: Acusação sobre uniformes escolares gera bate-boca e ameaça de processo na Câmara de VG

Vereador Wender Madureira questionou arquivamento de investigação contra a prefeita Flávia Moretti; parlamentares rebateram críticas, cobraram provas e prometeram acionar a Justiça

O plenário da Câmara Municipal de Várzea Grande virou palco de um acalorado confronto verbal na sessão desta terça-feira (16). O clima esquentou após o vereador Wender Madureira afirmar que a Comissão Processante — criada para investigar supostas irregularidades em uniformes escolares distribuídos pela Prefeitura — teria “terminado em pizza”.

A declaração provocou a fúria imediata dos colegas Sardinha, Carlinhos Figueiredo e Charles da Educação, que participaram das apurações. A comissão foi encerrada em fevereiro deste ano com um relatório final que não apontou nenhuma irregularidade na gestão municipal.

O alvo da investigação e o estopim da briga

A Comissão Processante havia sido instaurada para apurar se a prefeita Flávia Moretti estaria fazendo promoção pessoal ilegal ao estampar o slogan institucional “Transparência, Trabalho e Progresso” nas peças de uniforme dos alunos da rede municipal.

Durante a sessão, Madureira não apenas criticou o arquivamento do caso, como também mirou na secretária municipal de Educação, Maria Fernanda — que é irmã do vereador Carlinhos Figueiredo. Segundo o parlamentar, as informações apresentadas pela gestora sobre os uniformes não condizem com a realidade.

Fúria, ironia e promessa de judicialização

As falas de Madureira geraram uma reação em cadeia dos parlamentares que conduziram os trabalhos investigativos. Eles exigiram que o vereador apresente provas de que o caso foi deliberadamente abafado.

  • Sardinha (Presidente da comissão): Usou de ironia para rebater a insinuação de que o grupo teria acobertado o caso. “Eu quero saber em qual pizzaria eu trabalhei. Não consta isso no meu currículo. O senhor colocou eu e o Carlinhos como pizzaiolos. […] Vereador não pode viver de ‘eu acho’, ‘eu penso’ ou ‘eu acredito’. Tem que trabalhar com fatos”, disparou o ex-militar, prometendo protocolar requerimentos para apurar a conduta de Madureira no Conselho de Ética.
  • Carlinhos Figueiredo (Relator): Prometeu levar a discussão para os tribunais. “O senhor vai precisar de um bom advogado para provar o que falou de mim e da comissão. Eu não vou medir esforços para processar o senhor até o final”, ameaçou o vereador, classificando o comentário como “maldoso e irresponsável”.

O “Pitbull” de tribuna

Autor da denúncia original que deu origem à investigação, o vereador Charles da Educação também saiu em defesa do relatório final e criticou a postura do colega.

Segundo Charles, a secretária Maria Fernanda esteve recentemente na Câmara prestando esclarecimentos, ocasião em que Madureira teria permanecido em silêncio.

“A secretária esteve aqui nesta Casa e ele não falou nada. Bastou ela virar as costas para ele virar um pitbull dentro da Câmara. Quero que ela volte aqui, mas que ele pare de fazer show na tribuna para gravar vídeo. Respeite o meu mandato”, esbravejou Charles.

Apesar do clima bélico e da perspectiva de que a confusão vá parar na Justiça, o processo sobre os uniformes escolares segue oficialmente arquivado pelo Legislativo municipal.

Lucas Bellinello

About Author

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Você também pode se interessar

Política

Lista de 164 entidades impedidas de assinar convênios com o governo

Incluídas no Cadastro de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos Impedidas (Cepim), elas estão proibidas de assinar novos convênios ou termos
Política

PSDB gasta R$ 250 mil em sistema para votação

O esquema –com dados criptografados, senhas de segurança e núcleos de apoio técnico com 12 agentes espalhados pelas quatro regiões