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TJMT decide que Carlos Bezerra será julgado onde cometeu o crime

O Poder Judiciário de Mato Grosso encerrou, nesta quinta-feira (16 de abril de 2026), uma das principais frentes de batalha da defesa de Carlos Bezerra, o “Carlinhos”. Por decisão da Turma de Câmaras Criminais Reunidas, o pedido de desaforamento — que visava transferir o local do julgamento para outra cidade — foi negado por unanimidade. Com isso, o réu enfrentará o júri popular na Comarca de Cuiabá, local onde os crimes foram cometidos.

O Argumento da Defesa Os advogados de Bezerra sustentaram que a “grande comoção social” provocada pelo caso na capital poderia contaminar a imparcialidade dos jurados. Alegaram que a cobertura mediática e a proximidade da vítima com o próprio Tribunal de Justiça criariam um ambiente desfavorável ao réu. No entanto, os magistrados entenderam que a repercussão de um crime grave é natural e não justifica, por si só, a retirada do julgamento de seu juízo natural.

A Emboscada no Solar Monet O crime, ocorrido em 18 de janeiro de 2023, chocou o estado pela frieza. Segundo o inquérito policial:

  • Perseguição: Carlinhos utilizava aplicativos de rastreamento e monitoramento de redes sociais para vigiar Thays Machado.
  • O Ataque: O casal Thays e Willian Cesar Moreno foi surpreendido em frente ao edifício Solar Monet. Bezerra passou de carro e efetuou diversos disparos, matando ambos no local.
  • Motivação: As investigações apontam que o acusado não aceitava o término do relacionamento e agia de forma possessiva e controladora.

Sensibilidade Institucional O julgamento possui uma carga simbólica extra para o Judiciário mato-grossense. Thays Machado era servidora da Corte e mantinha laços de amizade com muitos dos que hoje analisam os recursos do caso. A homenagem do TJMT, que batizou um núcleo de atendimento a vítimas de violência doméstica com o nome de Thays, reforça o tom de tolerância zero com o feminicídio adotado pela atual gestão.

Próximos Passos Com a manutenção do local em Cuiabá e a negativa de recursos anteriores no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a 1ª Vara Criminal de Cuiabá agora tem o caminho livre para marcar a data do júri. A expectativa nos bastidores é de que o julgamento ocorra ainda no primeiro semestre de 2026, encerrando um ciclo de espera por justiça que já dura mais de três anos.

Lucas Bellinello

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