O governador e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), reconheceu publicamente a atuação do senador Jayme Campos (União Brasil) ao longo de seu mandato no Senado Federal, mas criticou a guinada no tom das declarações do parlamentar após o rompimento político com o grupo liderado pelo ex-governador Mauro Mendes (União).
Em entrevista recente, Pivetta relembrou que apoiou a eleição de Jayme em 2018 e destacou a forte articulação do senador na liberação de recursos federais para os municípios mato-grossenses.
“Ele foi eleito, eu ajudei também a eleger ele em 2018. O senador Jayme fez um mandato muito bom para Mato Grosso. Ele sempre teve muita influência lá dentro do Senado, conseguiu muitos recursos, canalizou para os municípios, nós fizemos muitas parcerias aqui com o Estado […] Então, teve um bom mandato”, afirmou Pivetta.
Críticas ao tom adotado pelo senador
Apesar dos elogios à atuação institucional, o governador lamentou a postura adotada por Jayme na reta final de seu mandato, marcada por ataques duros contra os antigos aliados após a derrota na convenção partidária do União Brasil — quando o partido optou por apoiar a reeleição de Pivetta em detrimento das pretensões do senador ao governo estadual.
Após o racha, Jayme Campos subiu o tom no Senado, classificando a gestão anterior como “balcão de negócios” e “antro de corrupção” à luz da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um acordo de R$ 308 milhões com a Oi. As críticas do parlamentar também passaram a mirar o próprio Pivetta, citando vínculos de fundos de investimento investigados com empresas ligadas ao grupo do governador (embora sem comprovação de que os valores tenham origem ilícita).
“No final do mandato, ele se mostrou bastante agressivo em todas as colocações dele. E eu não estou na política para agredir pessoas, eu estou na política para servir o povo, eu quero saber de resultado”, rebateu Pivetta.
Diálogo mantido e foco na gestão
Questionado sobre a relação com o senador após o rompimento, Pivetta garantiu que busca manter uma postura republicana e civilizada.
“Então, eu falei com ele depois da convenção, falamos, temos um diálogo tranquilo, né? Vou continuar a ter”, disse, reforçando que respeita o direito de manifestação dos parlamentares. “Eles são parlamentares… parlamentar é isso, falar, falar. E eu tenho que trabalhar, eu tenho que fazer, meu negócio é fazimento”, concluiu.


