Em sua primeira exposição individual, a artista mato-grossense Adaiele Almeida transforma lembranças, afetos e paisagens em um retrato sensível de um dos maiores patrimônios naturais do Brasil
Há artistas que observam uma paisagem. Outros a registram. Adaiele Almeida faz algo diferente: ela a habita.
Em sua primeira exposição individual, intitulada “Pantanal em Mim”, a artista visual mato-grossense apresenta um conjunto de obras que ultrapassa a representação da natureza para alcançar um território mais íntimo — aquele onde memória, identidade e pertencimento se encontram. A mostra será aberta ao público no dia 17 de junho, na ARTEMAT, em Cáceres, cidade que mantém uma relação histórica e afetiva com o bioma pantaneiro.
O título da exposição não é uma metáfora casual. Para Adaiele, o Pantanal não aparece apenas como cenário de sua produção artística. Ele se manifesta como linguagem, herança e experiência de vida.
Nas telas, as águas silenciosas, as aves coloridas, os reflexos dos rios e as figuras humanas surgem entrelaçados em composições que revelam uma percepção afetiva da paisagem. Mais do que retratar um lugar geográfico, a artista constrói uma narrativa visual sobre aquilo que permanece dentro de quem nasceu e cresceu sob a influência desse universo.
“Cada obra carrega histórias, memórias afetivas e o desejo de sensibilizar as pessoas para a importância de preservar nossa natureza e nossa cultura”, afirma a artista.
A exposição marca um momento simbólico em sua trajetória. Depois de anos desenvolvendo uma produção fortemente conectada ao imaginário pantaneiro, Adaiele reúne pela primeira vez um conjunto de trabalhos capaz de apresentar ao público a amplitude de seu olhar artístico.
Há delicadeza, mas também força. A mesma força que caracteriza um território conhecido mundialmente por sua exuberância natural e, ao mesmo tempo, por sua fragilidade diante das transformações ambientais dos últimos anos.
Nesse sentido, “Pantanal em Mim” dialoga com uma discussão contemporânea urgente: como preservar não apenas os ecossistemas, mas também as memórias culturais que deles emergem.
A curadoria de Dayana Trindade, artista e pesquisadora que há anos se dedica à valorização da produção visual mato-grossense, potencializa essa leitura ao apresentar a exposição como um espaço de encontro entre arte, identidade e consciência ambiental.
“Apresentar artistas do Pantanal é defender a memória, a identidade e a riqueza ambiental do nosso estado. A arte possui a capacidade de despertar pertencimento e consciência”, observa a curadora.
Mais do que uma exposição, o projeto assume caráter educativo. Durante o período expositivo, serão realizadas oficinas de arte, visitas mediadas para estudantes, rodas de conversa e atividades voltadas à educação patrimonial e à sensibilização ambiental. A proposta amplia o alcance da mostra e reforça o papel social da arte como instrumento de formação e transformação.
A iniciativa encontra abrigo na ARTEMAT — Associação dos Artistas Plásticos de Mato Grosso — instituição que há décadas atua na valorização da produção artística regional e na criação de espaços de visibilidade para novos talentos.
Em tempos de crescente debate sobre sustentabilidade, pertencimento e preservação dos biomas brasileiros, “Pantanal em Mim” surge como um convite raro: olhar para o Pantanal não apenas como patrimônio natural, mas como uma dimensão essencial da cultura brasileira.
Ao final do percurso, o visitante talvez descubra que o verdadeiro tema da exposição não são as aves, os rios ou as paisagens. É a memória. E a maneira como ela continua viva nas pessoas, muito depois que as águas passam.
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Serviço
Pantanal em Mim
Artista: Adaiele Almeida
Curadoria: Dayana Trindade
Abertura (vernissage): 17 de junho de 2026, às 19h
Visitação: de 18 a 30 de junho de 2026
Local: ARTEMAT – Associação dos Artistas Plásticos de Mato Grosso, Cáceres (MT)
Entrada gratuita



