Economia

Namorados montam empresa de compostagem orgânica

A história de Khayke Botelho Sonohata, 26, e de Yasmin Rojas Fonseca, 25, se parece com a de muitos outros casais. Quando estudantes de engenharia, eles se conhecem na faculdade e começaram a namorar. O relacionamento já tem 4 anos e 8 meses e, desde fevereiro de 2020 se tornaram sócios na empresa Origem Compostagem, que opera pelo sistema de assinatura.

Eles recolhem os resíduos orgânicos em domicílios e indústrias, processam o material por meio de compostagem, transformando-o em adubo. Uma parte é comercializada em viveiros em embalagens de 1 e 2 quilos e outra é cedida aos clientes fornecedores da “matéria-prima”, que optam por fazer essa espécie de “escambo”.

Tudo começou a partir da ligação de Yasmin com as questões ambientais e a angústia que sentia por não ter onde descartar o resíduo orgânico que produzia. “Comecei a pesquisar e vi que poderia compostar em casa. Conversando com algumas pessoas, vi que isso também era uma dor de cabeça para elas e, como sabia que o sistema de coleta e compostagem já acontecia em outras capitais, resolvi me capacitar e investir no negócio. Contei a ideia pro Khayke e ele não só me incentivou, como acreditou e  estamos começando essa nova página em nossas vidas,  já colhendo frutos maravilhosos”, conta.

O investimento inicial foi de R$20.000,00. Agora, estão procurando financiamento para ampliar e melhorar tanto produção quanto logística. Por isso, buscaram uma consultoria do Sebrae para receber orientações.

A compostagem é feita em uma área de um hectare, localizada no bairro Praia Clube, próximo à Rodovia Emanuel Pinheiro, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães (MT-251). Por enquanto, são produzidos mensalmente 500 kg de adubo, mas há capacidade de expansão para 75 toneladas/mês. A estrutura tem capacidade de tratar até 300 toneladas de resíduos orgânicos e o casal de empresários pretende atingir a capacidade total em três anos.

Após a coleta, o material é levado para o pátio de compostagem, onde é feito o processo de degradação controlada dos resíduos orgânicos, sob condições aeróbias, ou seja, com a presença de oxigênio. Após este processo, o material é encaminhando para a vermicompostagem (técnica que utiliza minhocas), onde ocorre a transformação do composto em húmus, adubo riquíssimo em nutrientes. Todo o processo leva cerca de três meses.

Eles optaram pelo formato de assinatura, para que tivesse uma receita recorrente. “Hoje temos 20 clientes residenciais que optam pela separação do resíduo orgânico e ao final de cada ciclo recebem uma recompensa, adubo ou mudas de temperos e hortaliças”, conta Khayke.
Assinantes

Guilherme Chiquito Persona, 28, da Estância Legumes & Companhia, empresa de família no mercado há 28 anos, é um dos assinantes. A empresa produz verduras e legumes processados para restaurantes (higienizados, cortados e embalados a vácuo, prontos para consumo) e agora, por conta da pandemia, também in natura.

Ele conta que tinha a ideia de fazer adubo orgânico, porque a quantidade de resíduo gerada é muito grande. “São toneladas que a gente descarta. Até fui ao Sebrae para ver como é o processo, mas teria que criar tanques com minhocas, mas era um trabalho a mais e iria ocupar muito tempo. acabei desistindo da ideia”, conta, acrescentando que, quando encontrou o Khayke, achou a ideia fantástica e aderiu. “A gente contribui muito com o meio ambiente dessa forma. Eu deixo os resíduos separados e ele faz a coleta todos os dias”, resume.

Antes, o resíduo era doado a pessoas que criavam porcos. “Com esse projeto, a gente está dando um destino bacana para o resíduo. O porco tem outros tipos de alimentação, mas adubo orgânico não tem muito no mercado”, constata.

A estudante Maria Clara Wilke Hachbardt, 20 anos, formada em Técnico em Meio Ambiente pelo Instituto Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá Bela Vista, também assina o serviço da Origem Compostagem, que conheceu pelo Instagram, por meio de uma publicação divulgando os planos e as vantagens do baldinho. “Achei a ideia fantástica, pois na época não conhecia nenhuma outra empresa que oferecesse esse tipo de serviço. Tenho uma rotina cheia de afazeres e não consigo fazer a minha própria composteira em casa. Logo, encontrei na Origem Compostagem a solução para o destino correto e seguro dos resíduos orgânicos da minha casa”, relata.

Antes, separava os restos de alimentos, cascas de frutas e legumes em uma lixeira específica e as embalagens plásticas, isopor e garrafas, em outra lixeira, na tentativa de colaborar com a reciclagem. Entretanto, os resíduos inorgânicos não eram aproveitados em sua totalidade, eram descartados junto com restos de alimentos e todos destinados ao lixão, em vez de serem encaminhados ao processo de compostagem.

Segundo ela, a experiência de destinação correta dos resíduos orgânicos, através do baldinho, proporcionou uma reflexão maior sobre a destinação adequada dos demais resíduos. “Hoje, procuramos os pontos de coleta seletiva para descartar pilhas, baterias, garrafas de vidro e plásticas e caixas de leite. Assim, com a reciclagem, colaboramos para aliviar os lixões e aterros sanitários, reduzir os impactos gerados durante todo o processo de fabricação do mesmo produto e para a geração de renda para diversas famílias, que trabalham nas empresas de reciclagem”, enfatiza.

Capacitação

Além da coleta e produção do adubo, Khayke e Yasmim ensinam como produzir o composto em casa utilizando garrafas pets e restos das cozinhas.

Ela conta que haviam se programado para começar oficinas de compostagem no espaço de compostagem em abril, mas devido à quarentena, os planos foram adiados e o projeto só será retomado quando tudo estiver normalizado.

“Por enquanto, estamos propagando a ideia do vaso compostor lixo zero pelas redes sociais, um método prático e eficaz que pode ser realizado em casa”.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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