O MPF (Ministério Público Federal) denunciou o chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, pelos crimes de corrupção passiva, peculato em operação clandestina de instituição financeira. Ele faz parte da investigação a grupo, encabeçado pelo ex-secretário Éder Moraes, que teria usado agentes políticos, empresários e empresas para movimentar dinheiro irregularmente, entre 2005 e 2013, em Mato Grosso. Carvalho teria recebido R$ 788.500 na triangulação do esquema.
Conforme o Ministério Público, a quantia foi repassada a Mauro Carvalho em cheques, de 2009, e nota promissória, de 2010, por meio das empresas Globo Fomento Ltda., Comercial Amazônia de Petróleo e São Tadeu Energética, participantes da organização.
As empresas, duas em nome do empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior (Globo Fomento e Comercial Amazônia), eram responsáveis pelo empréstimo e pela lavagem de dinheiro que vinham dos cofres públicos. Éder Moraes é citado na denúncia como o responsável pela operação clandestina, atuando em interesse próprio e de agentes políticos do alto escalão.
“O colaborador Gércio Marcelino Mendonça Junior exercia, assim, a função de um banco clandestino, que viabilizava, de forma segura, as operações financeiras no interesse do grupo político, sem chamar a atenção dos órgãos de controle. As contas das empresas Globo Fomento e Comercial Amazônia de Petróleo serviam para o grupo, conforme relatado pelo próprio colaborador, como uma conveniente conta-corrente”.
Ainda conforme o MPF, as contas bancárias em nome de empresas de Gércio Marcelino Mendonça Junior recebiam quantias de terceiros, na maioria das vezes, previamente informadas por Éder Moraes. Uma vez com o dinheiro creditado, as mesmas contas transferiam valores para contas de terceiros também, na maioria das vezes, indicados pelo próprio Éder Moraes.
O Ministério Público identificou que dos R$ 788.500 repassados a Mauro Carvalho, R$ 477.400 têm transferências documentadas pela Comercial Amazônia e Petróleo à empresa São Tadeu Energética S.A., cujo um dos administradores é Mauro Carvalho.
“As operações realizadas pelo colaborador Gércio Mendonça Junior, por intermédio de sua instituição financeira clandestina com o denunciado Mauro Carvalho serviram para ocultar e dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação e propriedade da quantia de R$ 788.500,00, proveniente da infração penal antecedente dos crimes contra a Administração Pública e contra o Sistema Financeiro Nacional, que foram praticados pelo denunciado Éder Moraes em concurso com outros agentes”.
O Ministério Público diz que as transferências foram realizadas em 13/11/2009, 03/12/2009, 10/12/2009 e 04/01/2010. As parcelas foram nos valores de R$ 388.500, R$ 42.000, R$ 42.000 e R$ 4.900, somando R$ 477.900. O restante de R$ 311.000 teriam sido repassados em nota promissória no valor de R$ 4.565.600. O documento teria notações no verso com a indicação como o dinheiro deveria ser distribuído.
A reportagem tentou contato com a defesa do secretário Mauro Carvalho, via telefone, mas não foi atendida e nem houve retorno até a publicação deste matéria.



