Adversário do Brasil nesta segunda-feira (29), pelas oitavas de final da Copa do Mundo, o Japão mantém uma relação muito mais amistosa com Mato Grosso quando o assunto é comércio exterior. Enquanto as seleções disputam uma vaga na próxima fase do torneio, os dois mercados fortalecem uma parceria comercial que movimentou cerca de US$ 46 milhões nos cinco primeiros meses de 2026.
Dados do setor de Internacionalização da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt) apontam que as exportações da indústria mato-grossense para o Japão somaram US$ 41,4 milhões no período, enquanto as importações de produtos japoneses chegaram a US$ 4,6 milhões. O presidente da Fiemt, Silvio Rangel, destaca que o Japão ocupa a 24ª posição entre os destinos das exportações do Estado e que Mato Grosso é o sétimo maior exportador brasileiro para o mercado japonês.
Segundo Rangel, o mercado japonês é estratégico por reconhecer a qualidade dos produtos industrializados de Mato Grosso e por representar uma oportunidade para ampliar a presença internacional das empresas do Estado. Entre os principais produtos exportados estão resíduos da extração do óleo de soja, carne de aves, preparações de carnes, órgãos de animais destinados à indústria farmacêutica, madeira beneficiada, miudezas, ácido graxo e gelatinas.
Os resíduos da extração do óleo de soja lideram a pauta de exportações, respondendo por 75% do volume embarcado ao Japão. Na sequência aparecem a carne de aves, com 18%, e as preparações de carnes, com 4,3%. Em 2026, um novo produto passou a integrar essa relação comercial: o DDG, coproduto obtido na produção de etanol de milho, do qual o Brasil já exportou 250 toneladas para o mercado japonês.
No fluxo contrário, Mato Grosso importou principalmente máquinas para a indústria alimentícia, equipamentos de carga, rolamentos, engrenagens, motocicletas, aparelhos de imagem e som, bombas de ar, acumuladores, equipamentos elétricos e instrumentos de medição, reforçando a complementaridade da relação econômica entre os dois mercados.
Além do comércio, levantamento do Observatório de Mato Grosso mostra diferenças marcantes entre os dois países. O Brasil possui população de 211,9 milhões de habitantes, contra 123,9 milhões do Japão, além de um território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados — dimensão muito superior aos 377 mil km² do país asiático. Apesar disso, o Japão apresenta indicadores econômicos mais elevados, com PIB de US$ 4,04 trilhões e renda per capita de US$ 32,4 mil, enquanto o Brasil registra PIB de US$ 2,19 trilhões e PIB per capita de US$ 10,3 mil.

