Cidades

Bebê que usou ‘máscara de pet’ está internado em estado grave

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou na manhã desta terça-feira (2) que o menino Gabriel, um dos bebês que usou uma garrafa plástica improvisada de máscara de oxigênio no município de Jutaí apresenta infecção perinatal – transmitida de mãe para filho – e ainda tem quadro considerado grave na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) na maternidade Ana Braga, na Zona Leste de Manaus.

O recém-nascido foi transferido para capital na noite de segunda-feira (1º).

Gabriel é um dos gêmeos sobreviventes do caso que ocorreu em Jutaí, a 751 km da capital, onde um bebê morreu após garrafas pet serem utilizadas pela equipe médica na falta de máscaras venturi. Os gêmeos nasceram prematuros e com problemas respiratórios.

Segundo a nota da Susam, Gabriel faz uso de ventilação mecânica e antibióticos para quadro de infecção.

"O quadro é considerado grave, instável e inspira cuidados", diz a nota. Consta, também, no prontuário que em dezembro a mãe apresentou quadro de infecção urinária e tratou com cefalexinha por sete dias. "Sendo provável que o novo quado de infecção tenha provocado o trabalho de parto prematuro", ressatou a secretaria.

A mãe e a tia de Gabriel se encontram na maternidade Ana Braga para acompanhar o estado de saúde da criança. A Susam também informou que exames foram solicitados e os resultados anda estão sendo aguardados.

Sindicância
A  Susam informou na tarde de segunda-feira (1º) que uma sindicância foi aberta para apurar as circunstâncias do atendimento aos bebês gêmeos prematuros nascidos no Hospital de Jutaí. A direção da unidade afirmou que a falta da máscara de venturi não teria contribuído para o óbito do bebê.

Por meio de nota, o secretário Pedro Elias considerou grave o fato de o hospital não ter acionado a Secretaria, informando sobre a situação, para que pudesse providenciar UTI aérea, serviço que é adotado em casos de emergência nos municípios do interior.

"Acionada pela Susam ainda no final de semana, a direção do hospital de Jutaí informou que os gêmeos nasceram prematuros (de 7 meses) e que a menina tinha um quadro pulmonar mais debilitado. Mesmo tendo sido submetida aos mesmos procedimentos que o irmão (que já recebeu alta do hospital), não resistiu devido ao quadro de infecção respiratória aguda de etiologia alveolar, ocasionada por síndrome de membrana hialina, principal complicação de prematuridade", informou a Secretaria de Saúde.

A direção do hospital destacou, ainda, que a falta da máscara de venturi – que não estava disponível na unidade e que foi substituída pelo material improvisado de garrafa pet – não teria contribuído para o óbito do bebê.

Na segunda-feira (1º), a Susam enviou ao município uma equipe formada por três técnicos da Secretaria Adjunta de Atenção Especializada do Interior, para iniciar o trabalho de apuração do caso.

Entenda o caso
Ao G1, a tia das crianças disse que os bebês nasceram em parto normal por volta de 1h do dia 28 e que a menina morreu às 11h. Segundo Rayssa Neres, a família foi comunicada que o hospital não possui incubadora e que estava sem máscaras de oxigênio.

“O médico cortou a garrafa e colocou nos bebês, porque não tinha aparelho nem nada. Ele não tem culpa. Tentou ajudar”, diz a tia.

Rayssa diz que as ‘máscaras de pet’ chegaram a melhorar a respiração dos bebês, mas a improvisação rendeu machucados aos gêmeos. “Machucou os pescoços deles. Ficou roxo e o médico precisou afrouxar. Outro problema foi que havia apenas um [cilindro] de oxigênio para as duas crianças. Isso nos preocupou”, comenta.

Após a morte da recém-nascida, o irmão dela continuou internado com a garrafa como máscara. Neste domingo, ele recebeu alta. No entanto, o fato de Gabriel  ter sido liberado após nascer de forma prematura tem deixado a família em alerta.

Fonte: G1

Redação

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