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Falsa biomédica diz que namorado não aplicou hidrogel em paciente

Suspeita de causar a morte de uma paciente após aplicar hidrogel para aumentar o tamanho do bumbum, Raquel Policeno Rosa, de 27 anos, afirmou à polícia que seu namorado não teve envolvimento no procedimento. A Polícia Civil passou a investigar o homem após encontrar áudios no celular da vítima, nos quais a falsa biomédica relata a presença do companheiro durante as sessões. A expectativa é de que ele seja ouvido na próxima sexta-feira (7).

A ajudante de leilão Maria José Medrado de Souza Brandão, 39 anos, morreu no dia 25 do mês passado, após a segunda aplicação de hidrogel em uma clínica de Goiânia. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Myrian Vidal, a suspeita negou ter cometido qualquer erro no procedimento e disse, ao prestar depoimento na segunda-feira (3), que o namorado apenas realizou massagens em sua paciente. O casal pode ser indiciado pela morte e deve responder por exercício ilegal da medicina.

Segundo a autora, ele participou apenas no primeiro momento, e teria ido massagear um dos glúteos da Maria José, visando espalhar melhor o líquido que ela já havia injetado, relatou. Vidal afirmou também que o rapaz mencionado na gravação é professor de línguas estrangeiras e não tem qualquer formação na área estética ou de saúde.Nos áudios analisados pela polícia, Raquel tenta acalmar a vítima e diz que o inchaço que ela estava sentindo em uma das nádegas iria sumir.Fica tranquila, ele vai assentar, vai ficar por igual os dois lados. É assim mesmo, porque a minha mão é mais pesada que a do Fábio [namorado] e a minha massagem é um pouco mais forte, um pouco mais intensa. É por isso que tá [sic] mais inchado. Mas pode ficar tranquila. Quando o produto assentar, daqui a três dias, você vai ver que os dois lados vão ficar iguais.

Para a delegada, no entanto, a declaração contradiz o depoimento do filho de Maria José, que afirma ter visto o rapaz aplicando o hidrogel em uma das nádegas de sua mãe. Segundo a delegada, o namorado de Raquel não prestou depoimento até o momento, pois ainda não tem advogado.Se confirmado a participação dele, e eu acredito que está bastante forte isso nos autos, ele responderia por homicídio culposo, já que na segunda conduta da Raquel, ele não teria participado, ou seja, ele sequer sabia que a mulher estava pedindo ajuda, afirmou Vidal.

Certificado
Áudios e bate-papos em redes sociais divulgados pela polícia mostram que Raquel Rosa se apresentava como biomédica ao abordar as possíveis clientes. No entanto, a polícia constatou, no último dia 31, que ela não tem formação na área.Fizemos a consulta nos conselhos de biomedicina existentes no Brasil e o nome dela não consta entre os profissionais. Aliás, em nenhuma área da saúde", explicou a delegada.

Durante o depoimento, a jovem não deu entrevista e disse apenas que "as minhas declarações eu já prestei à Justiça". À polícia, ela apresentou um certificado de conclusão do curso de bioplastia estética, feito no interior de São Paulo, com carga horária de 60 horas, entre 18 de agosto e 5 de setembro deste ano. "Ainda vamos averiguar a procedência desse diploma. Porém, ele não dá o direito de realizar esse tipo de procedimento", adiantou a delegada.

A suspeita também afirmou à polícia que ela está convicta de que não errou no procedimento e que a morte da auxiliar de leilões foi provocada por outros fatores.Ela [Raquel] afirma que a bioplastia é um procedimento extremamente simples. Ela continua afirmando isso, que ela está capacitada para realização, indo em desacordo com todos os médicos e profissionais que já foram ouvidos, disse Vidal.

Ato exclusivo de médico
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a aplicação de hidrogel é um procedimento exclusivo para médicos. O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Erso Guimarães, informou ao G1 que desconhece a profissão de bioplasta. "Existem 14 profissões regulamentadas pelo Ministério do Trabalho na área da saúde, como, por exemplo, médico, enfermeiro e fisioterapeuta.Bioplasta não é um delas", afirmou.

Raquel contou que fez aplicação de hidrogel duas vezes em quatro pacientes, entre elas, a Maria José. Em um primeiro momento, o procedimento foi realizado em um hotel. Dias depois, as mesmas pacientes realizaram retoques com ela em uma clínica estética. Entretanto, Raquel afirma que não tem o nome completo ou contato de suas clientes por ter perdido seu celular, onde estariam todas as informações.

A delegada Myrian Vidal disse que espera um laudo do Instituto Médico Legal para comprovar se a morte da paciente está relacionada ao procedimento estético. Caso seja confirmado, Raquel deve ser indiciada por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Isso porque, para a delegada, a mulher demorou a orientar a paciente a procurar um médico. Além disso, ela também responderá por exercício ilegal da medicina.

G1

Redação

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