Estudantes da Escola Estadual Dom Gastão Liberal Pinto, em Borborema (SP), voltaram às aulas nesta segunda-feira (3), após quatro dias de luto pela morte das 13 pessoas no acidente entre uma carreta e um ônibus na noite do dia 27. A tragédia abalou a cidade com cerca de 15 mil habitantes. O acidente tirou a vida de oito estudantes e três professoras da unidade de ensino, além de uma diretora de outro colégio e de uma fotógrafa que acompanhava a excursão do grupo a São Paulo.
A Diretoria Regional de Ensino mobilizou uma equipe de 24 profissionais entre psicólogos e assistentes sociais para prestar auxílio a alunos e professores.De acordo a representante da Diretoria Regional de Ensino, Leda Maria Zanardi Miguel, a equipe pedagógica optou por promover atividades lúdicas com os alunos, principalmente da sala 3º A, onde cinco das sete vítimas estudavam.
Todas as salas receberam monitores com o objetivo de confortar todos os alunos e professores. Nesta semana eles trabalharão formas de vivenciar esse luto, de colocar para fora toda a tristeza e saudade que eles estão sentindo. Por isso, convocamos a quantidade de profissionais da rede, professores com formação em psicologia para fazer esse trabalho, explica.Segundo ela, os profissionais permanecerão na escola durante toda a semana.
'A vida é uma viagem'
Os portões da escola foram abertos às 7h. Vestindo camisetas com fotos dos amigos, os estudantes foram chegando aos poucos. Alguns levaram rosas para homenagear as vítimas.Na sala do terceiro ano uma roda foi feita para que os alunos contassem a experiência da viagem a São Paulo e unissem forças para seguir em frente. Murais também foram colocados nos corredores e um altar foi montado logo na entrada, no lugar das bandeiras com fotos das vítimas, estudantes e professores.
A frase postada em uma rede social pelo estudante José Vinicius Anzolin um dia antes de sua morte também estampou cartazes e camisetas. Ele, que era o mais novo entre as vítimas, com 15 anos, publicou uma foto com a frase "Esta vida é uma viagem. Pena eu estar só de passagem". No dia seguinte à tragédia, muitos amigos se mostraram espantados com a "despedida" postada pelo jovem.
Ainda bastante abalada, a diretora da escola afirma que, apesar de toda a tristeza, os alunos estão calmos e aceitaram bem as atividades.É claro que algumas pessoas não conseguiram segurar a emoção, é um momento muito difícil para todos nós. Ninguém imaginava passar por uma tristeza tão grande e o que nos dá força para continuar é ver a coragem deles. Esta semana vai ser o nosso momento de recomeçar, diz Rosângela Daniela Mantovani.
Gabriela Gutierrez, de 16 anos, era uma das estudantes que participou da excursão. Ela estava em outro ônibus e diz que foi difícil encontrar forças para ir à escola. "Eu estava em outro ônibus e percebi que aquele que não voltava. Achei muito estranho, mas não dei muito importância porque os veria na escola. É difícil voltar para o lugar onde a gente estudou junto a vida inteira", conta a jovem.Keyla Fonseca também usava a camiseta em homenagem aos amigos. Muito próxima da jovem Gabriela Cristina da Silva, que morreu no acidente, a jovem lembra que desistiu da viagem na última hora. "Ela queria muito que eu fosse, queria que eu sentasse no banco ao lado dela, mas não deu certo. Vou sentir muita falta da minha amiga", desabafa.
Dia de Finados
O primeiro Dia de Finados após o trágico acidente que matou 13 pessoas, entre elas estudantes e professoras de Borborema (SP), foi de muita emoção e homenagens no Cemitério Municipal. A tradicional missa que é realizada todos os anos nessa data teve orações especiais às vítimas do acidente que envolveu um ônibus, que voltava de uma excursão dos estudantes e professores da escola Estadual Dom Gastão, e uma carreta carregada com óleo vegetal na Rodovia Leônidas Pacheco Ferreira (SP-304) em Ibitinga.
Após a missa, os túmulos mais visitados foram os das 12 vítimas enterradas em Borborema. Uma das vítimas, a professora Roseneide Aparecida Casetta Montera foi sepultada em Itápolis, onde mora a família dela. A cidade, de pouco mais de 15 mil habitantes, ainda está bastante abalada com a tragédia. Após viver os momentos de tristeza do enterro coletivo de 10 vítimas na quarta-feira (29), a cidade teve que acompanhar o enterro dos corpos de mais duas pessoas no dia seguinte, na quinta-feira (30).Além dos 13 mortos, 24 pessoas ficaram feridas. Três delas continuam internadas, duas na Santa Casa de Ibitinga e o quadro de saúde delas é estável, e o motorista do caminhão, Leandro Basalea, que está no Hospital Padre Albino em Catanduva e a família não autorizou a divulgação de informações sobre o estado de saúde dele.
G1


