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Pesquisadores desenvolvem ‘viagra verde’ com pimenta asiática

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Franca (Unifran), no interior de São Paulo, descobriu a existência de uma molécula natural capaz de combater a disfunção erétil. A substância foi encontrada em uma pimenta indiana e patenteada em junho deste ano para ajudar no desenvolvimento de um ‘viagra verde’ – medicamento mais saudável, segundo os pesquisadores – e que auxilia na ereção.

A molécula foi descoberta durante uma pesquisa para o tratamento do Mal de Chagas, que começou há 10 anos. Durante os estudos, os pesquisadores isolaram diversas substâncias, incluindo a (-) cubebina (menos cubebina), encontrada na pimenta-de-java (Piper cubeba), importada da Índia. Ao testar a molécula em camundongos, os responsáveis pela pesquisa notaram ereção nos animais.

O farmacêutico Márcio Luís Andrade e Silva, um dos envolvidos no estudo, explica que, a princípio, a substância age bloqueando a PDE5, conhecida como fósforo-diestarase 5. “Ela bloqueando esta substância, ela aumenta ou provoca a ereção, já que a PDE5 é a causa da degradação de outra substância que, através do metabolismo, permite o enchimento de sangue no corpo cavernoso do pênis."

Segundo a pesquisa, o efeito da molécula se mostrou 50% mais potente quando comparado a outras substâncias, como o Viagra (citrato de sildenafila), por exemplo.

“Confirmamos o efeito e depositei a patente nos Estados Unidos, Europa, Japão e no Brasil, depois de várias análises técnicas deram o título de propriedade da patente, considerada de extrema inovação”, afirma o farmacêutico Márcio Luís Andrade e Silva, um dos envolvidos no estudo.
A pimenta em que a molécula foi encontrada é utilizada normalmente na Ásia como condimento ou para fins medicinais. Entretanto, não há informações sobre o potencial afrodisíaco das sementes. “Não adianta comer, a substância precisa estar isolada para surtir efeito”, ressalta o pesquisador.

'Bomba verde'

Para Silva, a descoberta é importante para a indústria farmacêutica. “É uma bomba dentro do tratamento verde da disfunção erétil.” Depois do registro da patente, os pesquisadores trabalham em testes complementares e aguardam outros estudos para ser liberada para o mercado. Segundo o estudioso, pelo menos uma empresa brasileira já demonstrou interesse em licenciar a substância, que pode chegar ao mercado em até quatro anos, depois de testes em humanos.

Por ser natural, os pesquisadores afirmam que o medicamento pode ser mais saudável que os similares existentes no mercado, como o Viagra e o Cialis (tadalafil). “É difícil encontrar uma molécula natural nesses medicamentos, são sintéticos e usam moléculas de nitrogênio, que potencializam problemas cardíacos, por exemplo”, explica o farmacêutico.

Entre as vantagens do ‘viagra verde’ estariam a diminuição dos efeitos parelelos comuns aos remédios contra a disfunção erétil. “Se confirmarmos os testes, não teremos efeitos colaterais como ataque cardíaco, vermelidão, irritabilidade, boca seca, hiperatividade e outras mudanças comportamentais”, afirma Silva.

G1

Redação

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