A Polícia Civil de Bauru (SP) confirmou na madrugada desta quinta-feira (29) mais duas mortes em decorrência do acidente entre uma carreta e um ônibus de estudantes em Ibitinga (SP). Com isso, sobe para 13 o número de mortos na tragédia.As duas vítimas estavam internadas desde terça-feira (28) na UTI do Hospital de Base de Bauru.Uma delas é o estudante Leonardo Lucas dos Santos, que tinha 17 anos. O jovem era dos 43 passageiros do ônibus que se envolveu no acidente na Rodovia Leônidas Pacheco Ferreira (SP-304), em Ibitinga, na noite de segunda-feira (27). O impacto foi tão forte que a lateral do ônibus foi arrancada e os passageiros foram lançados para fora.
O estudante havia sido transferido da Santa Casa de Ibitinga para Bauru por conta da gravidade dos ferimentos. Leonardo viajava com mãe, a professora Margareth Aparecida Lucas dos Santos, que morreu no local do acidente, e com a irmã Carolina, de 14 anos, que ficou ferida. Na terça-feira, ela falou sobre o acidente.Eu estava dormindo. Quando vi, o ônibus já estava cortado ao meio e os estudantes do outro lado, contou.
A outra morte confirmada é da fotógrafa Larissa Souza Bottacini, de 24 anos, que acompanhava a excursão para São Paulo. Ela também estava internada na Santa Casa de Ibitinga, mas precisou ser transferida para o Hospital de Base. Além de Leonardo e Larissa, outras 11 pessoas morreram no local do acidente.
Sepultamento
Dez vítimas foram enterradas nesta quarta-feira (29), em uma cerimônia coletiva que atraiu centenas de pessoas a professora Roseneide Aparecida Casetta Montera foi enterrada na noite de terça (28), em Itápolis (SP), onde a família mora. Para dar conta de tantos sepultamentos, a prefeitura precisou acionar servidores de outras áreas. Pelo menos quatro funcionários foram chamados.Como o número de jazigos também não era suficiente, quatro covas tiveram que ser abertas às pressas para acomodar as vítimas da maior tragédia da história da cidade.
O agente funerário Dirceu da Silva trabalha no ramo há 16 anos e conta que a média de sepultamentos na cidade é de, no máximo, 15 por mês. "É um choque muito grande organizar tantos funerais ao mesmo tempo, nunca vi nada parecido. Enterramos hoje quase o mesmo número de pessoas do mês todo. Fomos tirados da rotina por uma tragédia imensa", lamenta.
O servidor Persival Pires, que nunca trabalhou em um sepultamento, foi um dos funcionários chamados em caráter de urgência para ajudar a preparar as várias massas de concreto usadas no enterro, mesmo sem experiência. "A gente veio para ajudar porque isso não é nem de longe a rotina da cidade. É uma comoção imensa porque a gente conhece todo mundo", afirma.Por conta da lotação repentina do cemitério municipal, a prefeitura já estuda a ampliação do local.
Tristeza e comoção
Um clima de profunda tristeza e consternação marcou o enterro das vítimas. Os corpos foram levados de dois em dois para o cemitério de Borborema, em um cortejo acompanhado por centenas de pessoas. O sepultamento das professoras Margarete Aparecida Lucas dos Santos, de 44 anos, e Márcia Martins de Carvalho Biassoto, de 39, abriu a cerimônia, sob oração e muitos aplausos.Antonio Félix, morador da cidade e parente de uma das vítimas, era o responsável por puxar o coro com canções que falam sobre amizade. "As músicas são para tentar diminuir a dor. É o mínimo que a gente pode fazer no meio de tanto sofrimento de ver tantas pessoas conhecidas que perderam suas vidas", diz o morador.
Assim como Félix, as famílias que acompanhavam o sepultamento dos parentes fizeram questão de seguir o cortejo para enterrar as outras vítimas."É inexplicável. Toda a técnica some numa hora dessas. O que a gente pode fazer é apoiar. Essa sem dúvida é a maior tragédia da cidade, nunca esperei ver algo parecido por aqui", diz o bombeiro Marcos Paula, que tentava consolar as vítimas.Borborema tem cerca de 15 mil habitantes. Por conta do acidente, a prefeitura decretou luto oficial de três dias. "É uma cidade pequena onde conhecemos todo mundo. Nunca pensei que pudesse atuar como bombeiros para eles", afirma.
Várias pessoas passaram mal durante o velório e o sepultamento, e precisaram ser atendidas por equipes dos bombeiros.O último a ser enterrado foi o estudante José Vinicius Anzolin, de 15 anos. Uma foto publicada por ele no seu perfil em uma rede social chamou a atenção dos amigos e familiares. A publicação foi feita no domingo (26), um dia antes dele morrer no trágico acidente. "Esta vida é uma viagem. Pena eu estar só de passagem", diz a frase.
Investigação
O boletim de ocorrência do acidente foi registrado na Polícia Civil de Ibitingae o delegado Carlos Alberto Ocon de Oliveira deverá conduzir o inquérito. De acordo com o investigador que acompanha o caso, todos os sobreviventes devem ser ouvidos nos próximos dias, assim como os policiais rodoviários que atenderam a ocorrência.Ainda não há informações sobre qual motorista teria invadido a pista contrária, mas testemunhas já disseram à polícia que teria sido o condutor do caminhão. As causas ainda serão investigadas.
A perícia técnica já esteve no local do acidente e o laudo criminalístico está sendo elaborado pelo Instituto de Criminalística de Araraquara.Segundo informações do órgão, o prazo é de 30 dias para a apresentação do laudo, mas pode ser prorrogado devido à complexidade do acidente.Além do ônibus atingido pela carreta, onde estavam 43 passageiros e o motorista, outros dois veículos também levavam estudantes e professores e chegaram em Borborema por volta das 23 horas. O grupo que participou da excursão era formado por 110 pessoas.
G1


