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Suspeita de tortura irá se apresentar:Não quer fugir

Principal suspeita de torturar uma adolescente em Praia Grande, no litoral de São Paulo, Elisângela Fernandes Maciel, de 22 anos, ainda não se apresentou à polícia. No entanto, segundo o seu advogado, Fábio Baptista, isso deve ocorrer nos próximos dias.Em entrevista ao G1, o defensor afirma que sua cliente não pretende se furtar das responsabilidades geradas pelo episódio. Ela não quer fugir das suas responsabilidades, pelo contrário. Apenas queremos a chance de esclarecer os fatos, diz Baptista.

Indagado sobre o vídeo gravado recentemente por Elisângela, no qual ela explica alguns pontos da conturbada relação com Diego da Silva Santos, o "Bolinho", pivô das agressões por conta de ciúmes da ligação dele com a vítima, o advogado destaca que a mensagem contou com o seu consentimento.O vídeo foi feito com a minha aprovação, sem problema nenhum. O inquérito está em curso, mas não posso adiantar qual será a linha da defesa, comenta.

O representante da suspeita ainda falou que realmente pretende apresentar a sua cliente nos próximos dias, para prestar depoimento na Delegacia da Mulher de Praia Grande.Estou na dependência da delegada. Cada hora ela me liga e fala uma coisa. Estou esperando para saber o que eu faço, mas pretendo apresentá-la, sim, encerra.A delegada Rosemar Cardoso Fernandes e o advogado de Elisângela devem acertar em breve a data em que ela irá prestar esclarecimentos sobre o caso. No entanto, a suspeita continua sendo considerada foragida da Justiça, pois há um mandado de prisão temporária expedido contra ela.

Delegada critica versão de suspeita
Elisângela Fernandes Maciel gravou um vídeo em que explica a sua versão dos fatos pela primeira vez. A delegada Rosemar Cardoso Fernandes, que está à frente das investigações, assistiu a gravação e destacou que, na prática, as palavras da jovem pouco influenciam no caso.Rosemar diz que, mesmo que a vítima a tivesse perseguido, tentando reatar um relacionamento com Diego da Silva Santos, o "Bolinho", não existe justificativa para as agressões.

Vi o vídeo e, na minha opinião, não muda nada no caso, pois não justifica. Ela simplesmente demonstra arrependimento. Mesmo que a vítima a tivesse traído, ameaçado ou xingado, nada justifica que ela faça Justiça dessa forma, com as próprias mãos. Se fosse caso de ameaça ou ofensa, ela deveria ter vindo na Delegacia da Mulher e registrado um Boletim de Ocorrência, afirma.A prisão temporária da principal suspeita pela tortura à adolescente de 17 anos já foi decretada. Outra suspeita, Jackeline Justino de Souza, foi presa no dia 7 de outubro por supostamente ter auxiliado Elisângela nas agressões.

Elisângela grava vídeo
A principal suspeita de torturar uma adolescente no litoral de São Paulo se manifestou pela primeira vez após o episódio. Elisângela Fernandes Maciel postou um vídeo na internet onde apresenta a sua versão dos fatos. O vídeo pode ser acessado clicando aqui.Durante a gravação, que tem cerca de 10 minutos, a suspeita conta como conheceu Diego da Silva Santos, o "Bolinho", pivô do que seria a traição que ocasionou todo o episódio. Segundo Elisângela, a vítima não se conformava com o fim do relacionamento com "Bolinho".Conheci ele em  uma semana e, na semana seguinte, nós estávamos morando juntos. Mesmo sabendo que eu estava com ele, ela postava frases de amor e as pessoas vinham comentar comigo.  Ela postava que ia ficar com ele, mandava mensagem para ele. A todo momento ele me mostrava e sempre falou que ela era uma vagabunda, diz.

Sobre as agressões, Elisângela argumenta que a sua ação se deu em grande parte por ela ter se sentido ‘provocada’ pela vítima.Eu fui até na casa da mãe dela, conversar, para não me complicar porque ela é menor de idade. A mãe dela disse que ia dar um jeito na filha, mas não adiantou nada. Ele foi preso também, fiquei sofrendo muito tempo. Ela mandou carta quando ele estava preso e fez até uma tatuagem com o nome dele. Mulher nenhuma aguenta isso. A gente saiu, conversamos e ela falou que ele tinha ligado para ela. Ela falou que tinha áudio dele falando que estava solteiro. Fui na casa dela, ouvi o áudio e perguntei se ela teria coragem de mostrar para ele. Ela falou que sim, entrou no meu carro e foi na minha casa. Ninguém obrigou ela a entrar no carro. Eu liguei para ele na hora e falei para ele ir conversar comigo e avisei que estava com ela. Ele falou que não queria saber de p… nenhuma. Um dia antes, a gente tinha brigado porque mandaram uma mensagem anônima, conta.

De acordo com a suspeita, a vítima teria enviado mensagens com nomes falsos, visando desestabilizar o relacionamento dos dois. Ela tentava separar a gente de todas as formas.  Nenhuma mulher tem ‘sangue de barata’. Eu fui muito apaixonada por ele, mas ele acabou com a minha vida. Ele não, ela. Agora ela está se fazendo de 'santa', de coitada, afirma.Para Elisângela, a jovem poderia ter evitado o episódio.Fiquei brava com ela. Ela não se defendeu porque não quis. Bati mesmo. Bati nela porque ela é safada. Por isso que ela não tem amigas. Ela mesma postou o vídeo. Eu pensei que não tinha vídeo no celular dela. Fiquei com muita raiva e agi na emoção. Sei que errei. Fiquei quatro meses tendo a minha vida atormentada. Mulher nenhuma que gosta de um cara aguenta isso. Estão me julgando e tenho recebido muitas ameaças. O mundo inteiro está contra mim, desabafa.

Apesar das acusações contra a vítima, no fim do vídeo, a suspeita se desculpa pelas agressões, com exceção ao seu ex-namorado.Eu cortei os meus pulsos por causa dele. Quase morri. Enfiei uma faca na minha perna. Ele é 'moleque' e nunca assumiu a responsabilidade. Não entendi porque ele fez Boletim de Ocorrência contra mim. Ele falava que me amava, mas não assume nada. Mas peço desculpas para todo mundo, porque eu não sou uma pessoa ruim. Minha mãe está muito doente e o meu pai estava vendendo tudo para tentar me ajudar. O que aconteceu eu sei que tem consequência. Mas peço desculpas para ela e a mãe dela, conclui.

G1

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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