Durante a abertura da audiência pública que discutiu o novo Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, declarou que o enfrentamento dos problemas históricos de abastecimento de água e esgotamento sanitário é o compromisso central de sua gestão.
Em tom combativo, a gestora afirmou que as administrações anteriores evitaram aplicar a legislação do setor e ressaltou que o plano precisa se tornar lei para embasar um novo modelo de gestão dos serviços na cidade.
“Vocês vão conhecer tudo o que foi estudado em um ano e quatro meses. Nenhum gestor teve a coragem de fazer isso que pede a Lei do Saneamento Básico. Daqui em diante, fazendo a parte técnica, estamos enfrentando o desafio que outros não tiveram coragem de encarar”, discursou a prefeita.
O PMSB como um legado
Ao discursar diante dos moradores e convocar os órgãos de controle a fiscalizarem a construção e as metas do novo PMSB, Moretti defendeu a legalidade de todas as etapas do plano e a importância de deixar um legado permanente de saneamento.
“Não sei se vou estar aqui amanhã, mas nossa equipe quer deixar o legado de ter levado água na torneira das pessoas. A água é vida e dignidade. Quando assinei o termo de posse, me comprometi com a população a resolver esse problema”, pontuou.
Após o levantamento de todas as demandas apresentadas na audiência, o documento final será encaminhado para votação na Câmara de Vereadores.
O que dizem as autoridades
A audiência pública reuniu diversas autoridades que reforçaram a gravidade do cenário atual e os próximos passos previstos para Várzea Grande:
- Sérgio Ricardo (Presidente do TCE-MT): Citando um estudo recente feito pela FIPE para a cidade, ele classificou a situação como reflexo de décadas de abandono. “O estudo aponta um cenário de caos. Várzea Grande ficou abandonada por séculos sem planejamento, e isso não é culpa da atual gestão. Precisamos tratar de investimentos na casa dos bilhões e buscar ações emergenciais”.
- Luciane Vilela (Promotora do Ministério Público): Defendeu que a cidade precisa de planejamento contínuo. “Não podemos fazer do município uma colcha de retalhos. Precisamos de metas claras e recursos previstos para que os órgãos de controle possam cobrar a execução”.
- Rogério Nascimento (Representante da Ager): Enfatizou o caráter inédito da fiscalização no estado. “Várzea Grande é o único município acompanhado de perto pela Ager atualmente neste processo de novos serviços de água e esgoto”.
- Raul Curvo (Vereador e servidor do DAE): Declarou apoio ao processo. “A Câmara precisa ajudar a aprovar esse plano, pois vamos entregar um recurso natural importante nas mãos da iniciativa privada para resolver o problema”.
A secretária de Assuntos Estratégicos, Ina de Maria, reforçou a centralidade dos moradores no debate, lembrando que a população é quem “sente na pele” a falta de água diariamente.
Serviços e investimentos já executados
Aproveitando a ocasião, a prefeita listou as ações já realizadas por sua gestão para mitigar os problemas de abastecimento na cidade. Segundo Flávia Moretti, a prefeitura tem buscado recursos ativamente para recuperar estruturas, consertar vazamentos e ampliar as redes de distribuição.
Os investimentos em andamento incluem:
- R$ 7,99 milhões aplicados na compra de novos equipamentos.
- R$ 11,98 milhões na conclusão da adutora que interliga a Estação Pari ao Morro do Urubu.
- R$ 16,39 milhões destinados à construção de cinco novos reservatórios.
A prefeita também citou avanços na instalação de hidrômetros, regularização de ligações de esgoto e o conserto de mais de 2.200 vazamentos.
Por fim, Moretti relembrou os recursos advindos do TAC Aliança pela Água, que preveem R$ 60 milhões para ações emergenciais e investimentos na recuperação do sistema, valores que estão sendo executados em parceria com o Governo do Estado.


