O secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, pediu exoneração do cargo nesta terça-feira (11), após o deputado federal Fábio Garcia (União) recuar da candidatura a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos). A saída foi comunicada em coletiva de imprensa e formalizada em carta encaminhada ao governador. O substituto de Carvalho ainda não foi divulgado.
A decisão ocorre na esteira da Operação Heritage, da Polícia Federal, que investiga um suposto desvio de R$ 308 milhões do erário por meio de um acordo firmado com a empresa de telefonia Oi. Carvalho está entre os investigados e afirmou que deixa o governo para se dedicar à família, às empresas e ao esclarecimento dos fatos. Ele também declarou que não participou do acordo e que não se beneficiou dos recursos envolvidos na negociação.
Em sua carta de desligamento, Mauro Carvalho afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com a família e com o governador Otaviano Pivetta. Segundo ele, a saída não ocorreu por determinação judicial, mas por decisão pessoal. “Saio de pé e com a consciência tranquila e pela mesma razão pela qual entrei: lealdade”, escreveu o ex-secretário.
Carvalho também argumentou que não ocupava cargos públicos entre dezembro de 2023 e abril de 2024, período em que o processo relacionado ao acordo com a Oi tramitou. Ele afirmou ainda que nenhum recurso proveniente da negociação foi destinado a seu patrimônio ou ao de suas empresas. O ex-secretário destacou que, na decisão judicial, não lhe é atribuído um ato concreto e defendeu que a investigação não representa uma condenação.
Durante a coletiva em que anunciou a saída, Mauro Carvalho comparou sua situação à de Jesus Cristo, ao afirmar que foi crucificado mesmo sendo inocente. Nas redes sociais, a filha dele, Camilla Carvalho Arruda, que também é investigada na Operação Heritage, publicou uma mensagem em defesa do pai e afirmou que ele “não merecia toda essa injustiça”. Ela declarou confiança no esclarecimento das suspeitas e no desfecho do processo.
Ao final da carta, Mauro Carvalho manifestou solidariedade ao procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, e a Fábio Garcia, também investigados na operação. Ele afirmou que ambos tiveram a honra exposta antes do contraditório e reforçou a confiança de que os fatos serão esclarecidos. “Peço a Deus que a verdade prevaleça, e que ninguém seja condenado sem culpa”, escreveu.


