Às vésperas da reunião do Copom, Boletim Focus reflete pessimismo impulsionado por tensões globais e pressão nos preços dos alimentos
O mercado financeiro revisou para cima as expectativas para a taxa básica de juros e para a inflação no Brasil. Os dados, divulgados nesta segunda-feira pelo Boletim Focus do Banco Central (BC), mostram um cenário de maior pressão econômica às vésperas de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
A mudança de rota nas projeções é fortemente influenciada pelos impactos da guerra no Oriente Médio, que encareceu combustíveis e alimentos, forçando o BC a reavaliar o ritmo de afrouxamento monetário.
Taxa Selic e os rumos dos juros
O Copom se reúne nesta terça e quarta-feira, e a expectativa majoritária do mercado é que o comitê freie os cortes e mantenha a taxa atual.
- Reunião desta semana: Expectativa de manutenção da taxa em 14,5% ao ano.
- Final de 2026: A projeção subiu pela segunda semana seguida, passando de 13,5% para 13,75% ao ano.
- Longo prazo: O mercado prevê uma redução gradual nos anos seguintes, chegando a 12% em 2027, 10,25% em 2028 e alcançando a marca de 10% apenas em 2029.
Inflação (IPCA) fora da meta
Pela 14ª semana consecutiva, os analistas elevaram a projeção da inflação, que já ultrapassa o limite máximo estipulado pelo Governo Federal.
- Projeção para 2026: O índice saltou de 5,11% para 5,3%.
- O teto estourado: A meta perseguida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com teto de tolerância de até 4,5%.
- Cenário atual: Puxado pelo preço dos alimentos, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses já bateu 4,72%.
- Próximos anos: O mercado estima que a inflação fechará em 4,1% (2027), 3,68% (2028) e 3,5% (2029).
PIB e Câmbio
Apesar da alta nos juros e na inflação, as instituições financeiras demonstraram um leve otimismo em relação ao crescimento da economia brasileira e estabilidade para a moeda americana.
- Crescimento Econômico (PIB): A estimativa de expansão para 2026 teve um pequeno ajuste positivo, passando de 1,91% para 1,96%. O ritmo deve desacelerar para 1,7% em 2027, retornando à casa dos 2% em 2028 e 2029.
- Dólar: A moeda norte-americana deve encerrar 2026 cotada a R$ 5,20, com uma leve alta projetada para R$ 5,25 ao final de 2027.

