Mato Grosso aparece entre os estados com maior número de denúncias ambientais do país, acumulando 22.633 registros entre janeiro de 2023 e maio de 2026. O estado ocupa a terceira posição no ranking nacional elaborado pela plataforma Escavador, ficando atrás apenas de Minas Gerais, com 365.293 ocorrências, e São Paulo, com 26.433. O resultado reforça a relevância de Mato Grosso no debate sobre fiscalização e preservação ambiental, especialmente por sua forte ligação com os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.
Os dados mostram que o Brasil registrou um crescimento recorde no volume de denúncias ambientais em 2025. Somente no ano passado, foram contabilizadas 367 mil denúncias relacionadas a crimes e infrações ambientais, um aumento de 868% em comparação com 2024. No total, o levantamento identificou 481.954 processos ambientais entre janeiro de 2023 e maio de 2026, abrangendo 25 categorias de infrações, como licenciamento ambiental, uso de agrotóxicos, saneamento, gestão florestal e áreas de preservação permanente.
No recorte regional, o Centro-Oeste somou 27.721 denúncias ambientais no período analisado, sendo impulsionado principalmente pelos registros de Mato Grosso. A região ficou atrás apenas do Sudeste, que concentrou 403.807 processos ambientais, liderados por Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Em seguida aparecem o Norte, com 18.495 denúncias, o Sul, com 17.164, e o Nordeste, com 14.767 ocorrências.
Segundo a análise mensal do Escavador, a maior alta nas denúncias foi observada a partir de maio de 2025, quando os registros alcançaram 68 mil casos. O pico ocorreu em junho, com mais de 134 mil denúncias. Entre julho e setembro, os números permaneceram elevados, variando entre 25 mil e 53 mil processos, antes de apresentarem desaceleração gradual nos últimos meses do ano.
Para a coordenadora jurídica e encarregada de dados do Escavador, Dalila Pinheiro, a forte oscilação nos registros demonstra a necessidade de acompanhamento constante dos indicadores ambientais. Segundo ela, o aumento das denúncias também reflete uma maior conscientização da população e o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização. “O aumento da visibilidade das questões ambientais tem ampliado a capacidade de denúncia e de fiscalização social. Isso significa um cenário mais ativo de monitoramento, tanto por parte da sociedade quanto das instituições públicas”, destacou.



