O senador Carlos Fávaro (PSD) criticou a condução das obras do sistema de transporte coletivo em Cuiabá e Várzea Grande após a entrada em operação dos primeiros trechos do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Salvador (BA), que utiliza os vagões originalmente adquiridos por Mato Grosso. Em visita às obras do BRT na região da Prainha, na Capital, o parlamentar afirmou que a população mato-grossense foi prejudicada pela substituição do modal e classificou a situação como um desrespeito aos usuários do transporte público.
Segundo Fávaro, a operação do VLT na Bahia reforça o contraste entre os dois estados. “O trabalhador merecia o VLT. O que ele recebeu foi a promessa de um BRT que, no fim das contas, é só ônibus passando numa pista ao lado. E nem essa pista ficou pronta”, afirmou o senador ao visitar os trechos ainda em obras. Vídeos do sistema funcionando em Salvador passaram a circular nas redes sociais e motivaram comentários sobre o fato de Mato Grosso nunca ter colocado os trens em operação.
O VLT foi concebido para atender Cuiabá e Várzea Grande durante a preparação para a Copa do Mundo de 2014. Após anos de paralisação, o Governo de Mato Grosso decidiu substituir o projeto pelo BRT e vendeu os 40 vagões para o Governo da Bahia por R$ 793,7 milhões. Enquanto isso, o novo sistema de transporte previsto para a região metropolitana segue sem conclusão.
Ao comentar a venda dos trens, Fávaro voltou a criticar a decisão do Executivo estadual. “O governo não deu conta de fazer o VLT. Venderam os trens para a Bahia. Nossos irmãos baianos estão usando o transporte confortável que o governo daqui não implantou. Isso é a demonstração de que essa gestão nunca respeitou o trabalhador”, declarou.
O senador também destacou os valores investidos no projeto ao longo dos últimos anos. Conforme citou, o VLT consumiu mais de R$ 1 bilhão em recursos públicos, enquanto a retirada dos trilhos instalados custou cerca de R$ 89 milhões. Já o contrato do BRT, firmado em 2022 por R$ 468 milhões, teve mais de R$ 206 milhões pagos antes de ser rescindido, sem que o sistema fosse entregue. Fávaro ainda mencionou impactos econômicos provocados pelas intervenções, como a redução do faturamento de comerciantes na Avenida do CPA.
Na avaliação do parlamentar, a demora na conclusão das obras evidencia falhas na condução do projeto de mobilidade urbana em Mato Grosso. “Dois governos, Mauro Mendes e agora Otaviano Pivetta, oito anos no poder e nenhum quilômetro entregue. Os mato-grossenses estão sem trem e sem ônibus. Sem transporte de qualidade. É muita incompetência. Esse modelo de gestão tem que mudar. Chega dessa turma. A perda do VLT é uma mancha que envergonha Mato Grosso diante de todo o Brasil”, concluiu.


