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Sérgio Ricardo aponta erros de português em livros sob suspeita e TCE-MT investiga contratos da Educação

Presidente do Tribunal de Contas vistoriou almoxarifado nesta sexta-feira (29) e vai apurar se a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) comprou os mesmos materiais didáticos

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, realizou uma visita técnica nesta sexta-feira (29) ao Almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá para inspecionar os livros didáticos sob suspeita de superfaturamento. Durante a fiscalização, que contou com a presença da imprensa e do prefeito Abilio Brunini (PL), o conselheiro criticou duramente a qualidade gráfica e pedagógica dos materiais, afirmando ter identificado erros ortográficos e de concordância gramatical nas edições, citando como exemplo a troca da conjunção “mas” pelo advérbio de intensidade “mais”.

Sérgio Ricardo questionou a responsabilidade técnica e política pelas contratações, cobrando a identificação dos gestores que deram aval à compra dos volumes. O conselheiro relembrou que já havia formalizado denúncias anteriores contra a mesma editora devido a falhas de revisão de texto. Além da auditoria no âmbito municipal, o presidente do TCE-MT anunciou que o órgão de controle externo investigará se a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) adquiriu a mesma coleção didática, buscando rastrear possíveis conexões contratuais decorrentes do fato de o ex-secretário municipal, Amauri Monge, ter atuado na pasta estadual antes de assumir o cargo na capital.

Durante a vistoria, o conselheiro interpelou o prefeito Abilio Brunini a respeito de uma eventual indicação política para a nomeação de Amauri Monge. Brunini negou qualquer interferência externa, justificando que a escolha do ex-secretário — que geriu a pasta entre 2025 e 2026 — baseou-se estritamente em critérios de capacidade técnica e experiência em gestão pública educacional para suceder a ex-secretária Solange.

O chefe do Executivo cuiabano ponderou que o foco da apuração não reside na qualificação profissional do ex-gestor, mas sim na legitimidade e na conveniência administrativa da compra, orçada em quase R$ 80 milhões. Brunini argumentou que o fluxo de caixa da Educação foi direcionado para priorizar o pagamento de R$ 21 milhões em apostilas, em detrimento do repasse de verbas de custeio descentralizadas para as escolas municipais, que necessitavam de recursos imediatos no início do ano letivo para serviços de limpeza, manutenção predial e preparação para o retorno às aulas.

Lucas Bellinello

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