O deputado estadual Wilson Santos (PSD) afirmou que as obras do Bus Rapid Transit (BRT), em Cuiabá e Várzea Grande, devem demorar pelo menos mais dois ou três anos para serem concluídas. O parlamentar também fez um “mea-culpa” e disse que houve uma “falha coletiva” dos órgãos responsáveis por fiscalizar a execução do projeto, incluindo a própria Assembleia Legislativa.
As declarações ocorrem em meio à audiência de convocação do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, marcada para esta segunda-feira (13) na ALMT, para prestar esclarecimentos sobre os atrasos e a escalada de custos da obra.
A novela dos transportes
Wilson comparou o atual impasse do BRT com a frustrada implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), cuja discussão e canteiro de obras se arrastam na região metropolitana desde 2012.
“É uma novela longa. Começou em 2012, já está no seu 14º ano. Os baianos compraram os nossos trens e, em dois anos, colocaram o VLT para rodar em Salvador. Aqui, nós nos arrastamos há quase 15 anos, sem uma data precisa e sem um prazo devidamente cumprido”, afirmou o deputado.
Ao ser questionado sobre a previsão do governo do Estado de concluir parte das intervenções viárias até novembro, o parlamentar demonstrou total ceticismo e apontou uma série de gargalos estruturais pendentes.
“Claro que não. Nenhum prazo até hoje, em relação ao VLT ou ao BRT, foi cumprido, e esse também não será. Nem existe o projeto executivo da segunda etapa, na Avenida Fernando Corrêa. O governo sequer comprou os ônibus, ainda não implantou o sistema elétrico, não iniciou as estações nem os terminais. Esses prazos são ficções. Vamos para mais dois ou três anos, pelo menos”, declarou.
“Show de incompetência” e divisão de responsabilidades
Apesar das críticas focadas no andamento das obras, o parlamentar distribuiu responsabilidades pelos sucessivos atrasos. Para ele, o problema estrutural não pode ser atribuído exclusivamente ao Executivo estadual.
“Todos nós falhamos. A Assembleia Legislativa, no seu papel fiscalizador, o Tribunal de Contas, o Ministério Público, o Poder Judiciário e, principalmente, o Executivo. Todos nós devemos vestir essa carapuça”, admitiu.
Wilson classificou a condução histórica do projeto como um “show de negligência” e um “show de incompetência”, ressaltando que, após mais de uma década, ainda falta perspectiva real para a conclusão integral dos 22,2 quilômetros do sistema de transporte. Ele ainda criticou a demora do governo para definir o modal após o sepultamento do VLT e cobrou medidas duras na fiscalização de licitações futuras.
“O então candidato Mauro Mendes prometeu que, se eleito, definiria o modal. Levou três anos para decidir pelo BRT. O Estado precisa ser mais rigoroso com prazos e qualidade dos projetos. Vimos empresas sem experiência assumirem essas obras com preços baixos, mas sem capacidade técnica para elaborar um projeto básico de qualidade”, concluiu.


