A coronel Vânia Rosa (MDB), vice-prefeita de Cuiabá e militar com mais de 10 anos de experiência na segurança pública, manifestou forte oposição às propostas que defendem a liberação de armas para mulheres como estratégia de combate ao feminicídio. O tema, que divide especialistas, ganhou força nos últimos meses e é alvo de um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Cuiabá.
Para a vice-prefeita, focar no armamento é uma tentativa de “vender uma solução fácil” para um problema complexo, gerando uma falsa expectativa de segurança.
“Eu acho de verdade algo bastante irresponsável você vender política, você vender soluções, trazendo à tona uma ferramenta de mais violência. Eu não acho que esse seja realmente o caminho”, destacou a militar.
O Recorte Econômico e o Custo da Arma
Vânia Rosa argumentou que, embora a violência doméstica e o feminicídio atinjam todas as classes sociais, os índices são estatisticamente mais acentuados nas regiões periféricas. Diante dessa realidade, ela questiona a viabilidade prática da proposta:
- Alto Custo: Comprar uma arma de fogo, pagar pelas capacitações obrigatórias e arcar com a manutenção do equipamento é uma realidade financeira totalmente distante da maioria das mulheres em situação de vulnerabilidade.
- Falso Empoderamento: Para a coronel, transferir a responsabilidade da proteção para a vítima não significa empoderamento, especialmente quando o Estado falha em oferecer a estrutura básica de apoio e canais eficientes de denúncia.
A vice-prefeita ironizou o teor imediatista do debate, afirmando que o próximo passo dos defensores seria a criação de programas assistencialistas voltados ao setor: “Daqui a um tempo eles oferecerão ‘Minha Arma, Minha Vida’, vai ser algo nesse sentido. Gerando, mais uma vez, uma política ou um populismo que não pode ser mantido.”Foco na Prevenção e Civilidade
De acordo com a militar, o poder público deve focar em ações preventivas, no acolhimento psicológico e social e no fortalecimento da rede de proteção às vítimas, em vez de focar em discursos que visam o aumento de eleitorado.
“Antes de tudo, a gente precisa voltar para a civilização, para a civilidade. A gente tem que ter mais compromisso com aquilo que a gente promete, com aquilo que a gente cria expectativa”, concluiu.Repercussão Política
O posicionamento da vice-prefeita já começou a movimentar os bastidores políticos de Cuiabá. Em resposta às declarações da coronel, uma vereadora da capital gravou um vídeo nas redes sociais rebatendo as críticas e questionando a coerência da posição da militar: “Ela anda armada, por que outras não podem?”, disparou a parlamentar.
O embate sinaliza que a tramitação do projeto na Câmara Municipal continuará cercada de intensos debates entre as bancadas de segurança e os movimentos de defesa dos direitos das mulheres.


