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UFMT suspende aulas de Engenharia Civil após ameaças de pai de aluno ligado a “lista de estupro”

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) decidiu suspender temporariamente as aulas presenciais do primeiro semestre do curso de Engenharia Civil, no campus de Cuiabá. A medida foi tomada após estudantes relatarem episódios de intimidação e ameaças sofridas dentro do ambiente acadêmico por parte do pai de um aluno citado no caso da “lista de estupro”.

As atividades presenciais foram substituídas pelo regime remoto entre os dias 14 e 18 de maio de 2026.

Escalada de Tensão e Intimidação

A crise, que começou com a denúncia de um “ranking” que classificava alunas como “estupráveis”, ganhou novos contornos de violência física e psicológica.

  • Relatos de Ameaça: Segundo os estudantes, o pai de um dos acadêmicos investigados teria entrado no campus para procurar e intimidar alunos que participaram das denúncias e da divulgação do caso.
  • Decisão do Colegiado: O colegiado do curso de Engenharia Civil optou pela suspensão das aulas práticas e teóricas presenciais como medida preventiva para garantir a integridade física de alunos e servidores.
  • Situação do Aluno Citado: A defesa do acadêmico de Engenharia envolvido informou que ele está afastado das atividades presenciais por tempo indeterminado, sob apresentação de atestado médico.

Resposta Institucional e Segurança

A Reitoria da UFMT e as faculdades envolvidas (FAET e Direito) adotaram protocolos de segurança e disciplina:

  1. Inquéritos Disciplinares: Comissões foram abertas na Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET) e na Faculdade de Direito para apurar a conduta dos alunos envolvidos na criação e circulação das mensagens.
  2. Reforço Policial: A universidade solicitou apoio oficial à Polícia Militar de Mato Grosso para reforçar o patrulhamento no entorno e dentro do campus, além de intensificar a vigilância interna.
  3. Acompanhamento Jurídico: O diretor da FAET, Roberto Barbosa Silva, acompanhou pessoalmente os estudantes até a delegacia para o registro das ameaças. O suspeito (pai do aluno) já foi identificado pela Polícia Civil.

Intervenção do Ministério Público (MP-MT)

O Ministério Público Estadual instaurou um procedimento administrativo e deu um prazo de cinco dias para que a UFMT apresente um relatório oficial sobre as providências tomadas.

  • Foco da Investigação: O MP apura a existência de conversas explícitas que mencionam intenções de abuso sexual contra estudantes.
  • Convocação de Entidades: O Centro Acadêmico de Direito e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) também foram acionados para fornecer provas e materiais que auxiliem na responsabilização criminal dos envolvidos.

O Caso da “Lista de Estupro”

O escândalo veio à tona após o vazamento de mensagens em grupos de aplicativos onde estudantes de Engenharia e Direito criaram um ranking ofensivo contra colegas mulheres. A situação gerou uma onda de protestos no campus e manifestações de repúdio de diversas entidades estudantis e de defesa dos direitos das mulheres em Mato Grosso.

Até o momento, um aluno do curso de Direito já foi afastado preventivamente. A universidade reforça que não descarta novas suspensões de atividades acadêmicas dependendo da avaliação do cenário de segurança nos próximos dias.

Lucas Bellinello

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