Nesta quinta-feira (26 de março de 2026), o cenário jurídico internacional deu um passo decisivo no caso da ex-deputada federal Carla Zambelli. A Justiça da Itália aceitou o pedido de extradição formulado pelo governo brasileiro, reconhecendo a validade das sentenças impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Zambelli, que possui cidadania italiana e vive na Europa desde o ano passado, agora enfrenta a possibilidade real de cumprir sua pena em solo brasileiro.
O Rito Jurídico e o Recurso de Cassação
A decisão proferida hoje não encerra o caso. O sistema italiano prevê uma estrutura de “duplo filtro” para extradições:
- Filtro Jurídico: O Tribunal analisa se o crime é comum (não político) e se há provas robustas. Esta etapa foi vencida hoje.
- Filtro Político: O Ministério da Justiça, chefiado por Carlo Nordio, precisa referendar a decisão.
- Recurso de Cassação: A defesa já anunciou que recorrerá à Corte de Cassação (equivalente ao STF italiano) em um prazo de 15 dias. Esta é a última instância técnica antes do martelo final do governo.
O Peso das Condenações no Brasil
O pedido de extradição está ancorado em duas frentes criminais graves que totalizam 15 anos de prisão:
- Invasão de Sistemas (10 anos): Condenação pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), crime considerado de alta periculosidade institucional.
- Porte de Arma e Constrangimento (5 anos): Referente ao episódio em que a então deputada perseguiu um homem armada em São Paulo, às vésperas do pleito de 2022.
Custódia: De Rebibbia à Colmeia
Atualmente, Zambelli encontra-se detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma. A Justiça italiana negou pedidos de liberdade provisória por entender que a trajetória de fuga da ex-parlamentar — que passou pelos Estados Unidos antes de se fixar na Itália — configura um risco real de nova evasão.
Caso o recurso na Cassação seja negado e o Ministro Carlo Nordio assine o decreto, Carla Zambelli será escoltada pela Polícia Federal até Brasília, onde ficará alojada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia.
A decisão de hoje sinaliza que a cidadania europeia não tem servido como “passaporte de impunidade” para crimes comuns e cibernéticos, reforçando a cooperação jurídica entre Brasil e Itália em 2026.



