A Stellantis – holding que no Brasil controla as marcas Fiat, Jeep, Ram, Peugeot, Citroën e Leapmotor – desmontou cerca de 600 veículos e reaproveitou mais de 9 mil peças nos primeiros seis meses de operação do seu Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças, em Osasco, na Grande São Paulo. O balanço foi divulgado na sexta-feira passada, dia 27. A unidade, inaugurada em agosto de 2025, é dedicada ao reaproveitamento de componentes de veículos em fim de vida útil e à reciclagem de materiais, dentro da estratégia de economia circular da fabricante.
Desse total de peças recuperadas em condições de uso, mais de 4 mil já foram comercializadas, tanto em canais físicos quanto digitais. Segundo a empresa, aproximadamente 80% das vendas ocorreram por meio do canal oficial da Circular AutoPeças em uma loja no Mercado Livre. O catálogo de opções inclui todo tipo de componentes, entre os quais itens de mecânica, lataria, módulos eletrônicos, iluminação, som e vídeo, rodas, pneus e acessórios.
Quando o programa foi oficialmente lançado, a ideia inicial era que o desmanche da dona da Fiat conseguisse desmontar 8 mil veículos por ano em três turnos. Porém, até agora, com esse ritmo, seria possível desmontar apenas 1,2 mil automóveis anualmente.
Além da revenda de componentes, o centro destinou corretamente mais de 360 toneladas de materiais para reaproveitamento ou reciclagem em pouco mais de 180 dias de operação (mais informações nesta página).
Segundo Paulo Solti, vice-presidente sênior de Peças e Serviços para a América do Sul da Stellantis, o centro amplia a estratégia industrial da companhia na região ao transformar veículos fora de uso em nova frente de negócios, combinando recuperação de peças e reciclagem de materiais.
“O Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças representa um avanço importante da nossa estratégia industrial e ambiental na região. Estamos transformando veículos em fim de vida útil em novas oportunidades de valor, por meio da recuperação de peças, da reciclagem responsável de materiais e da criação de uma nova frente de negócios”, afirma.
De volta à vida
A fabricante afirma ser a primeira da América do Sul a estruturar uma planta dedicada ao desmonte industrial de veículos com foco em economia circular. A operação transforma automóveis em fim de vida útil em peças reutilizáveis e matéria-prima reciclável, reduzindo resíduos e criando uma nova cadeia de valor dentro do próprio setor automotivo.
Indagado pela reportagem sobre estarem longe da meta, Solti disse que o centro passa por um processo de consolidação que envolve a criação de um ecossistema próprio para originação legal de veículos em fim de vida útil, capacitação técnica e homologação de parceiros ambientais.
“Como todo projeto pioneiro, a operação passa por uma fase inicial de estruturação e ajustes. Estamos construindo um ecossistema completo”, afirmou.
Atualmente, a unidade opera em um único turno, com equipe especializada dedicada exclusivamente ao processo de desmontagem. O trabalho segue protocolos técnicos que incluem teste do veículo, descontaminação de fluidos, desmontagem sistematizada, triagem das peças e destinação adequada dos materiais restantes. Segundo Solti, trata-se de uma atividade “altamente técnica, que exige qualificação específica e controle rigoroso de qualidade e conformidade regulatória”.
Expansão gradual
A expansão da operação, segundo ele, será gradual e acompanhada do aumento da oferta de veículos aptos ao desmonte legal. A ampliação pode incluir novos turnos e reforço de equipe à medida que o mercado amadureça e a cultura de economia circular avance no Brasil.
Preços
Outro ponto abordado foi a política de preços das peças reutilizadas. Solti afirmou que não existe um porcentual fixo de desconto. “A precificação é definida com base em critérios técnicos, como estado da peça, demanda de mercado e disponibilidade”, explicou.
Embora possa representar economia relevante frente às peças novas, o valor varia conforme o componente e pode chegar a 50% do valor de uma peça nova original.
O executivo reforça que o objetivo do projeto não é competir apenas por preço. “Nosso objetivo é oferecer uma alternativa segura, rastreável e sustentável. Todas as peças passam por triagem técnica rigorosa e seguem os critérios de rastreabilidade e segurança exigidos pelo Detran”, disse.
A estratégia, segundo ele, combina geração de receita com reaproveitamento de materiais e redução de resíduos dentro da cadeia automotiva.
BALANÇO DO SEMESTRE
Em seis meses, a unidade registra:
– 600 veículos desmontados
– Mais de 9 mil peças reaproveitadas em condições de uso
– Mais de 4 mil peças comercializadas
– 360 toneladas de materiais destinados à reciclagem ou reaproveitamento
– 334 toneladas de aço e alumínio
– 26 toneladas de plástico
– 1,8 tonelada de cobre
– 2,5 mil litros de óleo automotivo coletados e destinados corretamente


