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Em nova operação do caso Master, PF mira dono, parentes dele e empresários

A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master. Foram alvo da ação o dono da instituição, Daniel Vorcaro, o pai dele, Henrique Vorcaro, a irmã Natália Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel.

Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Houve a apreensão de dinheiro, por volta de R$ 290 mil, relógios de luxo, carros e um arsenal em um endereço em Minas. Não foram divulgados detalhes de onde especificamente foram feitas as apreensões. A Justiça ainda bloqueou R$ 5,7 bilhões a pedido da PF.

Zettel foi preso quando tentava embarcar para o Bahrein, mas foi liberado ainda ontem.

A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, depois de ele ter negado novas diligências que miravam Vorcaro. Em outro movimento, o ministro determinou que todo o material apreendido fosse lacrado e endereçado ao Supremo. Depois, após pedido de reconsideração da PF e da Procuradoria-Geral da República, que temiam que o material fosse comprometido, Toffoli autorizou que a PGR analisasse o material.

Segundo a PF, todos os alvos da ação de ontem são suspeitos de envolvimento em operações financeiras fraudulentas do banco com o objetivo de desviar recursos do sistema financeiro para o patrimônio pessoal deles.

Conforme investigadores, a ação de ontem teve como objetivo aprofundar a apuração das irregularidades identificadas na primeira fase da operação, que prendeu Vorcaro, solto 12 dias depois.

De acordo com a PF, o foco agora foi buscar novas evidências de gestão fraudulenta do banco.

Investigadores apuram se o Master usava fundos de investimento para realizar operações que poderiam inflar de forma irregular o seu patrimônio.

Por causa disso, também estão na mira da segunda fase os fundos e empresários ligados à família Vorcaro, como Nelson Tanure. O empresário já era investigado desde 2024 pela PF por suspeitas de ser o controlador de fato do Master. A aliança entre ele e Vorcaro já apareceu em alguns negócios feitos no mercado financeiro nos últimos anos, em um período que coincide com o crescimento acelerado do banco.

João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, também investigada em outras operações da PF, foi alvo de buscas, mas não estava no Brasil.

A operação de ontem se baseou em dois conjuntos de provas. Primeiro, em elementos colhidos na primeira fase, que apurou suspeitas de irregularidades na operação de venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB), vetada pelo Banco Central (BC).

E também em uma nova comunicação de crime feita pelo Banco Central, que detalhou indícios de operações financeiras fraudulentas usando os fundos de investimento. Com base nessas informações, a PF obteve o bloqueio dos recursos.

A suspeita da investigação é que quase R$ 6 bilhões tenham sido desviados das contas do Master, por meio de operações com fundos de investimentos, para o patrimônio pessoal de Vorcaro e pessoas ligadas a ele.
Na primeira operação, em novembro, a PF chegou a estimar uma fraude de R$ 12 bilhões.

O Master surpreendeu o mercado e gerou desconfiança com crescimento fora do comum ao oferecer rendimentos de CDBs muito acima dos pagos pelo mercado. O banco foi liquidado pelo BC em novembro.

RESPOSTAS

Em nota, a defesa de Vorcaro disse que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”. Segundo os advogados do banqueiro, “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.

A defesa de Zettel disse que, apesar de não ter tido acesso ao teor das investigações, “está à inteira disposição das autoridades responsáveis para cooperar”. “Fabiano Zettel tem atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master. A busca e apreensão pessoal e a detenção temporária determinadas pelo ministro Dias Toffoli, realizadas no aeroporto de Guarulhos, deram-se apenas em razão de viagem de negócios de seu estrito interesse, programada ao Bahrein, com passagem de volta emitida para o dia 06/02.”

A defesa de Mansur afirmou que não teve acesso à investigação, “mas registra que está à disposição das autoridades”.

A defesa de Tanure disse que o empresário “jamais enfrentou qualquer processo criminal em razão de suposta prática delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista”. Disse também que não tem “relação de natureza societária com o Banco Master”. A defesa dele afirmou ainda que a investigação vai demonstrar “a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita.”

Os demais alvos da operação não se pronunciaram.

Estadão Conteudo

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