O deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União), líder do governo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), saiu em defesa da gestão do ex-governador Mauro Mendes (União) em meio à investigação aberta pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O inquérito apura possíveis irregularidades no credenciamento do Banco Master para a operação de empréstimos consignados aos servidores públicos estaduais.
Para o parlamentar, até o momento, não há elementos concretos que configurem um escândalo institucional. Ele defendeu que todas as apurações sejam concluídas com total transparência antes que qualquer julgamento precipitado seja feito.
“Acredito que as coisas foram feitas de forma clara. O que precisa é detalhar o que está sendo investigado, quais as dúvidas, e o governo oferecer todos os documentos necessários para que a investigação continue e tenha uma definição final”, ponderou o líder governista.
A ótica do mercado: “Relação entre banco e cliente”
Com a bagagem de quem já atuou como bancário, Dal Bosco argumentou que a contratação de empréstimos é, na sua essência, uma relação privada entre a instituição financeira e o cliente. Segundo ele, o limite da legalidade só é ultrapassado se houver fraude direta contra o servidor.
- “Se tem alguma coisa irregular ou foi feita sem o conhecimento de alguém, isso já é um crime. Agora, quando a pessoa recebe a oferta de um financiamento, muitas vezes ela o faz ciente das condições estabelecidas pelo banco”, declarou.
Imbróglio jurídico e a dimensão do caso
O deputado também chamou a atenção para a insegurança jurídica que ronda o tema dos consignados no Estado, lembrando os recentes embates nos tribunais sobre a suspensão ou manutenção dos descontos na folha de pagamento.
- “Tem leis nossas [da ALMT] que foram derrubadas pelo próprio Tribunal de Justiça. E agora vem o próprio STF falando que tem que ter o pagamento aos bancos que emprestaram aos servidores. É uma incógnita, por isso todo esse processo precisa ser superado e esclarecido dentro do Estado”, avaliou.
Apesar da forte repercussão política gerada pela entrada do STJ no caso do Banco Master, Dilmar minimizou o impacto real das supostas fraudes na totalidade da folha do Estado. Segundo o parlamentar, o volume de operações sob suspeita não justificaria o alarde.
“Eu vi pelas investigações que não é tão grande assim, o percentual é bem pequeno de casos [suspeitos]. Não quero me aprofundar muito nisso, até porque vejo que a grande maioria realmente pegou o empréstimo de forma consciente”, concluiu.


