Economia

Reabertura parcial do comércio não irá salvar Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados, sétima data mais importante do calendário do varejo brasileiro, é comemorado hoje em meio a uma reabertura incipiente e gradual do comércio em boa parte do Brasil. Ontem, grandes cidades como Rio e São Paulo tiveram grande aglomerações em frente a shoppings e lojas de rua, enquanto o fim do pico do coronavírus segue distante no Brasil. Mas a reabertura prematura não vai salvar o comércio nesta data tão importante para o mercado de consumo.

No Paraná, por exemplo, uma pesquisa da Fecomércio PR na segunda quinzena de maio aponta que só metade da população planejava presentar neste ano. É o percentual mais baixo da série histórica iniciada em 2016, e mais de 70% disseram que sua decisão foi impactada pela pandemia.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima uma retração de 43% nas vendas no varejo brasileiras relacionadas à data. O valor previsto a ser movimentado é de R$ 937,8 milhões, contra R$ 1,65 bilhão em 2019.

Confirmada a previsão, o faturamento será o menor dos últimos 11 anos. A previsão é que as perdas relativas sejam maiores nas regiões Norte e Nordeste, com queda acima de 60% em estados como Ceará, Amapá e Pernambuco. Já a Fecomercio SP prevê uma queda de 20% nas vendas do mês de junho em relação ao mesmo mês do ano passado, traduzido em prejuízo acima de R$ 11 bilhões.

A Grande São Paulo teve ontem abertura de shopping centers, mas o impacto nas vendas se deve não apenas ao fechamento das lojas, mas também por uma perda concreta de poder aquisitivo e a cautela generalizada.

“As famílias tiveram suas rendas reduzidas devido à alta do desemprego e do endividamento, com a intenção de consumo encolhida e focada apenas em produtos essenciais, como alimentos e remédios”, diz a nota da entidade.

O exemplo mundial mostra que para sair de casa sem medo, as pessoas precisam estar seguras de que a pandemia foi contida. E a experiência de crises anteriores mostram que para gastar, as pessoas precisam acreditar que a retomada econômica será consistente. Está difícil gerar esse tipo de confiança no Brasil, que agora é líder mundial em mortes diárias pelo coronavírus.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Economia

Projeto estabelece teto para pagamento de dívida previdenciária

Em 2005, a Lei 11.196/05, que estabeleceu condições especiais (isenção de multas e redução de 50% dos juros de mora)
Economia

Representação Brasileira vota criação do Banco do Sul

Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além do Brasil, assinaram o Convênio Constitutivo do Banco do Sul em 26