O novo interrogatório do cabo Gerson Corrêa também foi enviado para o Superior Tribunal de Justiça. Nos próximos dias, o ministro Mauro Campbell deverá receber o conteúdo dos novos depoimentos que o réu fez sob o caso das interceptações telefônicas ilegais, que ficaram conhecidas pelo nome 'Grampolândia Pantaneira'.
O caso está no STJ por causa do governador Pedro Taques e de seu primo advogado Pedro Taques, que chegou a assumir uma secretaria sob seu mandato. Eles possuem prerrogativa de função pelos cargos que ocupam em relação a esta instância. O processo por lá corre em segredo de justiça.
No primeiro interrogatório, Gerson confessou sua participação no esquema de interceptações. Ele relatou que Pedro e Paulo Taques eram os verdadeiros donos da operação de escutas. De acordo com o réu, o esquema foi arquitetado para espionar adversários nas eleições de 2014.
Já no interrogatório mais recente, Gerson esclareceu alguns pontos de sua confissão. O réu relatou também que as interceptações telefônicas realizadas para subsidiar as investigações de operações que desbaratavam esquemas de corrupção, como a Metástase e a Seven, continham irregularidades.
Gerson revelou ainda que recebeu promessas de Paulo Taques. O objetivo era fazer com que o caso dos grampos atingisse o seu primo governador. Por causa desta confissão, os autos deverão 'subir' para o STJ.
No despacho, o juiz Murilo Mesquita reconheceu uma "conexão entre o presente feito" e a ação do STJ. Logo, o magistrado determinou a remessa de uma cópia digital com o novo interrogatório para o ministro Mauro Campbell.
As escutas ilegais de grampos ouviram políticos, empresários e jornalistas. O esquema foi revelado pelo programa Fantástico, da Rede Globo. O processo está relacionado à Operação Esdras na Vara Militar.
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