Economia

Mais de 109 mil pessoas entraram em pobreza extrema no Centro Oeste em 2017

 

São Paulo – O número de brasileiros em pobreza extrema aumentou no último ano, apesar do fim da recessão econômica.

De 2016 para 2017, 1,49 milhão de pessoas entraram na categoria e a porcentagem passou de 6,2% da população para 7,2%, totalizando 14,83 milhões de pessoas. Em média, a extrema pobreza no Brasil cresceu 11,2% em 2017.

Os dados são de uma pesquisa realizada pela LCA Consultores, com base nos dados da Pnad Contínua divulgados no dia 11 de abril pelo IBGE.

São consideradas em extrema pobreza pessoas com renda domiciliar per capita igual ou abaixo de US$ 1,90 por dia ou que recebem menos de R$ 136,00 por mês.

De acordo com a pesquisa, 55% estão na região Nordeste, 75% são pretos ou pardos e 51% são mulheres.

Contexto

Após quedas consecutivas de 3,5% por dois anos, o PIB voltou a crescer em 2017. Mas segundo o Cosmo Donato, economista da LCA que participou do levantamento, a retomada cíclica não alcançou a população que trabalha no mercado informal, com baixa qualificação e que vive em áreas mais isoladas.

Além da queda de renda e aumento do desemprego dos últimos anos, o economista aponta a crise fiscal dos estados como outro fator responsável pelo aumento da extrema pobreza.

“Com a contenção de gastos públicos, os investimentos federais e estatais em obras públicas não chegam aos locais onde essas pessoas vivem”, explicou.

De acordo com a pesquisa, a região Nordeste teve um aumento de 10,8% na extrema pobreza, seguido pelo Sudeste com 13,8%. As duas regiões somam 77,1% de participação no número total de pessoas em extrema pobreza em 2017.

Na região Norte a aumento foi de 2% e nas regiões Centro-Oeste e Sul foi de 22,2%, com participação de 13,4% e 9,5%, respectivamente, no balanço nacional no último ano.

As altas regionais devem ser analisadas com cautela. O número de pessoas na extrema pobreza em algumas regiões é relativamente pequeno. Por isso, pequenas altas absolutas podem representar uma grande alta porcentual.

Este é o caso das regiões Centro Oeste e Sul, que apresentaram o maior aumento entre as regiões, mas só representam 9,5% do total do país.

Veja o crescimento no total de brasileiros em pobreza extrema em cada região:

 

Nordeste

Norte Sudeste Centro Oeste

Sul

2016 7,36 mi 1,95 mi 2,87 mi 449 mil

699 mil

2017 8,15 mi 1,99 mi 3,27 mi 557 mil

847 mil

Programas Sociais

As atuais políticas públicas, como o Bolsa Família, não são suficientes para tirar as pessoas da pobreza extrema.

”A renda das pessoas que sobrevivem apenas com o Bolsa Família não ultrapassa os 136 reais por mês para cada membro da família, critério utilizado para caracterizar a extrema pobreza no país”, afirmou Donato.

O economista diz que o Bolsa Família não é suficiente mas pode ajudar a romper o ciclo de pobreza. Ele cita a exigência do programa de matricular crianças e adolescentes na escola, garantindo que os filhos dos beneficiários continuem se escolarizando.

De acordo com a faixa etária, a maioria da população na extrema pobreza é adulta, com 33,7% entre 25 a 50 anos e 32% tem idade menor ou igual a 13 anos.

Para os próximos anos, o número de pessoas em pobreza extrema deve ser estancado tanto pelo crescimento da economia quanto por novas políticas públicas, fatores que podem se retroalimentar positivamente.

“Com a recuperação econômica, novas políticas voltadas para a redução da extrema pobreza devem ser desenvolvidas de acordo com o orçamento do governo”, diz Cosmo.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Economia

Projeto estabelece teto para pagamento de dívida previdenciária

Em 2005, a Lei 11.196/05, que estabeleceu condições especiais (isenção de multas e redução de 50% dos juros de mora)
Economia

Representação Brasileira vota criação do Banco do Sul

Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além do Brasil, assinaram o Convênio Constitutivo do Banco do Sul em 26