A torcida organizada do Operário Força Jovem e entidades de defesa da mulher organizam um protesto contra a contratação do goleiro Bruno Fernandes pelo Operário de Várzea Grande. A intenção é reverter a vinda dele para um dos times mais tradicionais de Mato Grosso. A manifestação ocorrerá durante jogo do Operário nesta terça-feira (21).
O foco concentra-se na figura do goleiro, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, em 2010. A presidente do Conselho Estadual da Mulher, Glaucia Amaral, afirma que a contratação de Bruno tende a causar “efeito deletério” na imagem do clube, pela associação com a imagem de ídolo.
“Nós queremos evitar que o senhor Bruno se transforme em um ídolo em Cuiabá em um Estado que tem o segundo maior índice de feminicídio. A Operação já começou a causar esse efeito deletério só ao anunciar a intenção de contratar Bruno”, comenta.
O núcleo da mulher da Jovem Força Operário já emitiu uma nota de repúdio à negociação em andamento para a vinda do goleiro Bruno para o time. O ato juntou-se à manifestação do Bloco das Mulheres, que pede a reversão do contrato.
A repercussão negativa chegou ao departamento comercial do clube. Duas empresas patrocina os times mato-grossenses emitiram nota de proibição de uso de suas logomarcas pelo Operário.
A Eletromóveis Martinello diz reconhecer que o goleiro Bruno tem direito de tentar voltar a entrar no mercado do trabalho, mas não concorda “que condenado por crime tão grave e torpe seja elevado ao patamar de ídolo esportivo, pois o esporte é para cidadãos exemplares que cultivam a vida, o respeito ao próximo e o espírito de equipe”.
O banco de cooperativa Sicredi diz que “prefere não associar sua imagem à do atleta neste momento”. Conforme a Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), o dinheiro investido por essas empresas não é repassado diretamente para os clubes e não participam da constituição dos salários.
“Se fala muito na função social do esporte, mas somente quando envolve contratos milionários. Mas, a função social precisa ser cobrada em todos os níveis do futebol. Por que ela se perderia nesses contratos menos vultuosos?”, diz Glaucia Amaral.



