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TJ anula júri de acusado de matar casal na frente do filho no Araguaia e determina novo julgamento

A desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte anulou o julgamento de Cleuço Gomes de Brito, acusado de assassinar um casal em uma propriedade rural entre os municípios de Alto Boa Vista e São Félix do Araguaia, e determinou a realização de um novo júri popular. A decisão foi tomada pela Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso após recursos apresentados pelo Ministério Público de Mato Grosso e pelos assistentes de acusação contestarem o veredicto proferido em dezembro de 2025.

Segundo o Ministério Público, a decisão dos jurados foi manifestamente contrária às provas reunidas no processo. A acusação argumentou que o reconhecimento de homicídio privilegiado e de erro na execução não possui respaldo nos laudos periciais nem nos depoimentos testemunhais. Para os promotores, as evidências apontam que as vítimas foram executadas de forma deliberada, com disparos efetuados em circunstâncias distintas, afastando a tese de violenta emoção ou de disparo acidental.

Ao analisar os recursos, a relatora concluiu que o veredicto do Tribunal do Júri estava dissociado do conjunto probatório. Conforme a magistrada, não existem elementos que comprovem que o réu tenha agido sob domínio de violenta emoção logo após provocação da vítima. A decisão também destaca que houve um desentendimento prévio entre as partes, situação incompatível com o reconhecimento do homicídio privilegiado.

O crime ocorreu em janeiro de 2025 e chocou a região do Araguaia mato-grossense. As vítimas, Romildo Borges Martins, de 40 anos, e Crislene Aparecida Ferreira Alves, de 39, foram assassinadas a tiros dentro da propriedade rural da família, na frente do filho do casal, de apenas 12 anos. De acordo com as investigações, o crime teria sido motivado por uma dívida relacionada à negociação de gado.

Conforme a denúncia, Cleuço Gomes de Brito mantinha uma relação comercial com Romildo, envolvendo a venda de cerca de 800 cabeças de gado. Após atrasos nos pagamentos, o suspeito passou a fazer cobranças frequentes e ameaças. No dia do crime, ele teria ido até a fazenda das vítimas para cobrar a dívida e, após uma discussão, sacou uma arma de fogo e efetuou diversos disparos. Crislene foi baleada ao tentar proteger o marido, enquanto Romildo foi atingido repetidamente.

Após o duplo homicídio, o suspeito fugiu em direção a uma área de mata. O filho do casal, que presenciou toda a cena, foi encontrado em estado de choque e se escondeu no mato até a chegada da polícia. Na decisão que anulou o julgamento, o colegiado do TJMT entendeu que as provas indicam ações distintas em relação a cada vítima, afastando a tese de erro na execução. Com isso, um novo júri será realizado em São Félix do Araguaia para reavaliar o caso.

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