A direção do Operação de Várzea Grande desistiu da negociação para contratar o goleiro Bruno, ex-Flamengo, após pressão de torcedores e a manifestação de patrocinadores de desvinculação de imagem. Uma posição preliminar da decisão foi divulgada no início da tarde hoje no perfil do clube no Facebook.
Nela, a direção dizia que estava revendo a contratação do atleta. Um pouco depois, o clube e a FMF (Federação Mato-grossense de Futebol) confirmaram a saída de negociação.
Onetm (21), durante o jogo contra o Poconé, pelo campeonato estadual 2020, a torcida organizada Força Jovem Operário e entidades de defesa da mulher organizam um protesto contra a contratação do goleiro Bruno Fernandes pelo Operário de Várzea Grande. A intenção é reverter a vinda dele para um dos times mais tradicionais de Mato Grosso.
O foco foi a figura do goleiro Bruno, condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato de Eliza Samudio, em 2010. A presidente do Conselho Estadual da Mulher, Glaucia Amaral, afirma que a contratação de Bruno tende a causar “efeito deletério” na imagem do clube, pela associação com a imagem de ídolo.
“Nós queremos evitar que o senhor Bruno se transforme em um ídolo em Cuiabá em um Estado que tem o segundo maior índice de feminicídio. A Operação já começou a causar esse efeito deletério só ao anunciar a intenção de contratar Bruno”, comenta.
O núcleo da mulher da Jovem Força Operário já emitiu uma nota de repúdio à negociação em andamento para a vinda do goleiro Bruno para o time. O ato juntou-se à manifestação do Bloco das Mulheres, que pede a reversão do contrato.
A repercussão negativa chegou ao departamento comercial do clube. Duas empresas patrocina os times mato-grossenses emitiram nota de proibição de uso de suas logomarcas pelo Operário.
A Eletromóveis Martinello diz reconhecer que o goleiro Bruno tem direito de tentar voltar a entrar no mercado do trabalho, mas não concorda “que condenado por crime tão grave e torpe seja elevado ao patamar de ídolo esportivo, pois o esporte é para cidadãos exemplares que cultivam a vida, o respeito ao próximo e o espírito de equipe”.
O banco de cooperativa Sicredi diz que “prefere não associar sua imagem à do atleta neste momento”. Conforme a Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), o dinheiro investido por essas empresas não é repassado diretamente para os clubes e não participam da constituição dos salários.
A negociação com Bruno havia sido fechada na segunda-feira (20) para a temporada de 2020. O Operário chegou a negociar o frete de um avião particular para que o goleiro chegasse à Várzea Grande. Ele teria participação em Campeonato Mato-grossense, Copa Verde, Copa do Brasil e na série D do Campeonato Brasileiro.



