Érika Hilton divulgou lista com 40 signatários da PEC 12/2026, que propõe jornada flexível negociada entre patrão e empregado; Fávaro é o único senador mato-grossense a defender o fim da escala 6×1.
Os senadores mato-grossenses Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União Brasil) assinaram a PEC 12/2026, proposta alternativa à que foi aprovada pela Câmara Federal para acabar com a escala 6×1. A informação foi divulgada pela deputada federal Érika Hilton (Psol-SP), que publicou a lista dos 40 senadores signatários e pediu pressão popular para que retirem suas assinaturas.
Hilton classificou a proposta como uma “PEC da 7×0”, argumentando que a jornada flexível negociada entre trabalhador e empregador — sem isonomia de poder de barganha — poderia eliminar na prática qualquer garantia de dia de descanso. “O senador Flávio Bolsonaro e seus aliados apresentaram uma PEC no Senado que acaba com a CLT. A PEC já recebeu 40 assinaturas, está na Comissão de Constituição e Justiça e pode ser aprovada nessa semana”, afirmou em postagem nas redes sociais.
Conhecida como PEC do Horário Flexível, a proposta permite que o trabalhador escolha entre o regime tradicional da CLT ou uma jornada baseada em horas trabalhadas, negociada diretamente com o empregador. Fagundes defendeu que a medida “amplia direitos e respeita a realidade dos setores da economia”. Jayme Campos, por sua vez, alegou que a PEC garante ao trabalhador o direito de escolher a carga horária e “dá equilíbrio na relação entre patrão e empregado”.
Ambos são pré-candidatos ao governo de Mato Grosso em 2026, o que acrescenta peso político ao posicionamento. A adesão dos dois contraria o movimento da própria bancada do PL na Câmara, que votou favoravelmente à PEC do fim da escala 6×1 — segundo avaliações internas, por temor de desgaste eleitoral.
O único senador mato-grossense alinhado à proposta original é Carlos Fávaro, que defende o fim da escala 6×1 como medida de dignidade e qualidade de vida. “Produtividade não significa exaustão. O Brasil precisa crescer, mas esse desenvolvimento também precisa chegar na vida real das pessoas”, escreveu em suas redes sociais.
A PEC aprovada pela Câmara prevê a redução da jornada para até 40 horas semanais e a garantia de dois dias de descanso. A proposta alternativa do Senado foca na flexibilização, sem impor limite fixo de horas.


