Economia

Sem surpresas, Copom deve manter juros em 6,5%

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) não deve surpreender o mercado nesta quarta-feira, 6. Analistas consultados pela EXAME concordam que a taxa básica de juros do Brasil será mantida em 6,5% ao ano na reunião que termina hoje. O motivo é conhecido: a economia ainda dá sinais de fragilidade ante o potencial de crescimento do Produto Interno Bruto, e sobram incertezas no cenário internacional.

“Os consumidores ainda não sentiram de forma plena esse patamar mais baixo de juros, pois o spread bancário demorou a cair”, diz Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria. Mas, conforme o cenário político-econômico se tornar mais claro, a expectativa é de que o spread (diferença entre a taxa que os bancos pagam e a taxa que cobram de seus clientes) diminua. Mesmo com a crise econômica dos últimos anos, os bancos continuaram reportando lucros recordes no Brasil — na noite de segunda-feira o Itaú anunciou ganhos de 25 bilhões de reais.

Em algum momento, portanto, a economia deve voltar a ganhar tração, e é nesse ponto que aparecem as divergências entre os analistas: quando essa guinada econômica deve acontecer e, consequentemente, quando o Copom deve elevar a Selic. É por isso que o comunicado do Copom será mais importante do que a decisão em si. Ali estarão pistas das projeções e dos cenários dos integrantes da autoridade monetária, o que pode dar um norte para o mercado.

A princípio, Jensen prevê que o aperto monetário deve acontecer no segundo semestre. “Espero que a partir de agosto o Copom eleve a Selic de forma moderada, com duas altas de 0,25 p.p. e duas de 0,5 p.p., para 8% ao ano”, afirma. Já André Perfeito, economista-chefe da Necton, não vê aumento de juros em 2019, somente no ano que vem. “No entanto, se eu estivesse à frente do Banco Central, eu cortaria os juros nessa reunião, pois a economia ainda está bastante fragilizada”, explica Perfeito.

Será uma boa oportunidade de ver para onde aponta o Banco Central sob a nova gestão de Roberto Campos Neto, ex-diretor do Santander.

Redação

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