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Por falta de recursos pacientes com câncer ficam sem tratamento

Pacientes do Hospital Mário Kröeff, na Penha, Zona Norte do Rio, que é especializado no tratamento de pessoas que sofrem de câncer, se desesperam com a falta de condições de atendimento. Eles afirmam que não há remédios suficientes para todos e, com a greve dos funcionários, cirurgias e terapias foram suspensas, como mostrou o Jornal Hoje.

O Hospital Mário Kröeff é particular, mas todos os pacientes são do Sistema Único de Saúde. Atualmente, a instituição se mantém somente com o dinheiro enviado pelo governo federal.

A direção do Hospital Mário Kröeff, que assumiu há cinco dias, afirma que as contas estão no vermelho e que as dívidas com fornecedores, impostos e funcionários somam R$ 8 milhões e que não há dinheiro em caixa para manter o hospital funcionando.

Pacientes em dúvida
A paciente Sueli Nascimento de Araújo afirma que as condições da unidade e a dúvida se vai conseguir levar o tratamento adiante a deixam insegura em um dos momentos mais difíceis de sua vida.

“Eu já estou nervosa desde o início do tratamento. A gente já não está bem, já é uma doença difícil, que mexe muito com a gente, mexe com a cabeça, com o emocional. É triste chegar ao hospital e não ter o tratamento”, afirmou Sueli.

A paciente conta que não há informação seguras por parte dos funcionários.

“Eles afirmam que não sabem, que não tem a medicação. Essa seria a minha última quimioterapia para depois fazer a cirurgia. E será que isso não vai me prejudicar? O meu medo é esse”, afirmou Sueli, chorando diante da situação.

Suely Paes, por sua vez, teve a cirurgia para a retirada de um nódulo no seio desmarcada pela segunda vez.

“As mulheres ficam arrumando o leito, pedem para esperar um pouquinho. E ficam arrumando o leito até 16h30. Depois, chamaram todos nós na sala e disseram que tinham uma notícia triste, que não poderiam me operar porque não tinham ninguém, não tinham médico. Tentamos ir na Clínica da Família para pedir para ir para o Inca ou outro hospital que possa fazer esta cirurgia. Disseram que não podem”, contou Suely.

A paciente conta que muitas outras pessoas esperam por uma resposta positiva para poderem prosseguir com o tratamento.

“Assim como eu, tem outras pessoas que estão dentro de casa e estão esperando uma resposta. Mas quando? Que dia vão ligar para nós? E até lá?”, lamenta Suely, que chora ao lembrar que aguarda pela operação há seis meses.

Falta de repasse
A diretora do Mário Kröeff, reclama da falta de repasses da Secretaria Municipal de Saúde do Rio.

“Eu não tenho como explicar para você que gestões anteriores foram afundando o hospital. Não tenho como explicar isso. O último pagamento foi feito no dia 13 de janeiro. O 13º salário não foi pago por falta de fundo de caixa e o salário que eles deveriam receber agora, de cinco até 24 de fevereiro, não foi repassado. É o cerne da crise. O hospital vem mal e o que detonou foi exatamente isso. O clima de desmando, os funcionários vêm e não trabalham, os outros vêm e vão embora. Então você existe como?”, questionou Marina Kröeff.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio, responsável pelos repasses, afirma que está com os pagamentos em dia. Em um comprovante enviado pelo órgão, o último pagamento foi feito em dezembro.

O Ministério da Fazenda afirma que a Secretaria Municipal de Saúde do Rio é responsável pela fiscalização dos serviços oferecidos pelos Hospital Mário Kröeff e que cabe a ela transferir os pacientes para outras instituições de referência em oncologia para que eles continuem o tratamento da doença. Até o momento, o Ministério afirma que não recebeu qualquer notificação sobre irregularidades na unidade.

Os 400 funcionários do hospital afirmam que não estão recebendo os salários e que estão passando por dificuldades financeiras.

“A gente tem muito respeito pelos pacientes, a gente trabalha com amor. Mas, infelizmente, eu não levo o coração todo dia para casa. Eu não tenho como colocar coração na panela todos os dias para dar aos meus filhos”, afirmou a técnica de enfermagem Selma Nogueira.

Enquanto as autoridades discutem de quem é a responsabilidade pela situação do Hospital Mário Kröeff, os pacientes lamentam e pedem urgência na resolução do problema.

“Eu quero lutar pela minha vida. Eu quero voltar ao meu trabalho, para a aminha família, para o meu convívio social, meus amigos. A gente não tem mais isso. A gente quer a nossa cura, entendeu?”, resumiu Sandra Silva, paciente da unidade.

Fonte: G1

Redação

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