Economia

Para Eunício, não faz sentido extinguir intervenção para votar Previdência

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse nesta segunda-feira (19) que não faz sentido ter feito uma intervenção federal no Rio de Janeiro se for para extingui-la com o objetivo de votar a reforma previdenciária.

Na semana passada, o presidente Michel Temer afirmou, em pronunciamento no Palácio do Planalto, que o decreto que nomeou um interventor será interrompido para a tramitação das mudanças nas aposentadorias, mas não deu um prazo para que isso ocorra.

"Se for para fazer uma intervenção e chamar a todos nós e, daqui a cinco dias, dizer que foi um equívoco porque precisa votar matéria A ou matéria B, não teria sentido ter feito a intervenção", disse o senador.

Em entrevista à imprensa, após reunião no Palácio do Alvorada, Eunício disse ter dúvidas se haveria condições políticas no Congresso Nacional de se aprovar um novo decreto de intervenção caso o atual seja revogado para a votação de uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional).

"Se ele fizer a revogação, extingue-se a intervenção no Rio de Janeiro. E para fazer uma nova intervenção eu não sei se teria a condição política de fazer. Aí, o que a sociedade iria dizer? O que íamos dizer? Que não havia necessidade da intervenção. E ela é necessária", disse.

A ideia do Palácio do Planalto seria revogar o decreto e, enquanto se tramita a reforma previdenciária na Câmara dos Deputados, publicar uma medida de GLO (Garantia da Lei e da Ordem), que permitiria às Forças Armadas que atuassem com poder de polícia no Rio de Janeiro.

Nos bastidores, contudo, a proposta de se votar a mudanças nas aposentadorias em fevereiro é descartada e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já disse que irá tirar o assunto da pauta legislativa caso não seja votado neste mês.

Na saída da reunião, Eunício disse que ainda que ordenou à mesa diretora do Senado que nenhuma mudança na Constituição Federal será votada enquanto estiver em vigo a intervenção e afirmou que pretende pautar a votação do decreto de intervenção no dia seguinte à sua tramitação na Câmara.

MINISTÉRIO

O presidente do Senado afirmou ainda que o presidente se comprometeu a enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei com suplementação orçamentária para as Forças Armadas, por conta da operação no Rio de Janeiro, mas disse que o valor ainda não foi fechado.

"Há um compromisso do presidente de fazer um complemento de recursos para que sejam dadas todas as condições ao interventor. E há condições de ser pautado na semana seguinte ao envio", disse.

Ele defendeu ainda que o presidente proponha a criação do Ministério da Segurança Pública por meio de projeto de lei em regime de urgência, não por medida provisória, como defende o Palácio do Planalto.

"Ele tem de encaminhar ao Congresso Nacional e ele tem de aprovar ou não. A indicação do nome só pode vir depois da aprovação", disse.

Ele disse que, caso seja enviado o projeto de lei, se compromete a votá-lo rapidamente. A expectativa é de que o presidente determine a criação da pasta nesta semana, seja por projeto de lei seja por medida provisória.

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Economia

Projeto estabelece teto para pagamento de dívida previdenciária

Em 2005, a Lei 11.196/05, que estabeleceu condições especiais (isenção de multas e redução de 50% dos juros de mora)
Economia

Representação Brasileira vota criação do Banco do Sul

Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além do Brasil, assinaram o Convênio Constitutivo do Banco do Sul em 26