A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), deflagrou na manhã desta terça-feira (14 de abril de 2026) a Operação Mil Faces. A ação é um marco no enfrentamento ao uso criminoso da tecnologia, focando em uma quadrilha que elevou o nível dos furtos eletrônicos ao utilizar Inteligência Artificial Generativa para enganar sistemas de segurança.
O Mecanismo da Fraude: Deepfakes e Biometria O grupo não se limitava a roubar senhas; eles fabricavam identidades. Através de ferramentas de IA, os criminosos criavam biometrias faciais falsas — conhecidas como deepfakes — para burlar o reconhecimento facial de uma grande provedora de telefonia. Uma vez que o sistema validava a “face” fraudulenta, os golpistas realizavam o SIM swap: desativavam o chip da vítima e ativavam um novo sob controle da quadrilha.
Com o controle do número de telefone, o acesso a aplicativos de bancos, e-mails e redes sociais tornava-se imediato. Centenas de consumidores em todo o Brasil sofreram saques em contas digitais e compras indevidas em cartões de crédito.
Alcance e Penalidades As investigações levaram ao cumprimento de 13 ordens judiciais, divididas entre Poxoréu (MT) e a região metropolitana de Vitória (ES). O balanço parcial da operação inclui:
- Prisões e Buscas: Dois mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão.
- Asfixia Financeira: Três mandados de sequestro de bens e valores para ressarcimento das vítimas.
- Tipificação Criminal: Os suspeitos respondem por associação criminosa, invasão de dispositivo, falsidade ideológica e furto qualificado por fraude eletrônica. Somadas, as penas chegam a 19 anos de prisão.
Evolução Policial O delegado Guilherme da Rocha enfatizou que o uso de IA generativa para subverter biometrias demonstra uma sofisticação perigosa. A operação faz parte da Operação Pharus, inserida no planejamento estratégico de 2026 da Polícia Civil, que visa combater não apenas o crime violento nas ruas, mas a engenharia social e tecnológica que alimenta o crime organizado no ambiente digital.
Com o apoio da Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado (Cecor) e das delegacias regionais, a “Mil Faces” retira de circulação operadores que transformavam tecnologia de ponta em armas contra o patrimônio do cidadão comum.


