Levantamento do IPF-MT aponta avanço de 11,17% no comparativo anual; inflação simultânea do arroz e do feijão pressiona o orçamento familiar no encerramento de maio de 2026
O custo da cesta básica em Mato Grosso atingiu o valor recorde de R$ 919,21 na última semana de maio, registrando a sua décima alta semanal consecutiva. De acordo com o levantamento estatístico do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), o indicador apresentou uma elevação de 0,63% na comparação com a semana anterior. O encarecimento dos alimentos básicos fica ainda mais evidente no confronto anual: o patamar atual está 11,17% acima da média de R$ 826,83 consolidada no mesmo período de 2025.
O presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, alertou que a permanência do conjunto de mantimentos acima da linha dos R$ 900 pelos últimos dois meses acelera a perda do poder de compra da população, principalmente entre as faixas de menor renda. O dirigente destacou que a pressão inflacionária simultânea sobre o arroz e o feijão — a base alimentar do prato do brasileiro — acende um sinal de alerta no comércio varejista.
Principais variações e preços médios dos alimentos:
| Produto | Variação Semanal | Preço Médio Atual | Fatores de Impacto e Comparativo Anual |
| Feijão | +5,06% | R$ 8,58 / kg | Redução da área de plantio e baixa qualidade dos grãos colhidos. O preço está 39,99% maior que em maio de 2025. |
| Arroz | +3,09% | R$ 5,25 / kg | Restrição na área de cultivo e especulações climáticas que inflaram a demanda. O valor segue 13,34% menor que no ano passado. |
| Manteiga | +1,55% | R$ 33,97 / 500g | Encarecimento da matéria-prima no campo e custos de produção. O preço atual está 3,69% abaixo do registrado em 2025 (R$ 35,27). |
Conforme os analistas do IPF-MT, embora o arroz apresente um repique nos preços nas últimas semanas devido às incertezas meteorológicas que afetam o agronegócio, o fato de o grão ainda operar em patamares inferiores aos do ano passado ajuda a amortecer um impacto ainda mais severo no bolso do consumidor na capital. Em contrapartida, o feijão consolida-se como o principal vilão do orçamento doméstico no primeiro semestre.
O monitoramento do IPF-MT integra as atividades do Sistema Comércio no estado — composto também pelas frentes do Sesc e Senac regional. A federação mato-grossense atua de forma subsidiária e é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), entidade de representação empresarial gerida nacionalmente por José Roberto Tadros.

