Um crime acontece e após a confirmação, imediatamente a Polícia Militar ou Polícia Civil, aciona a Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec) e os plantonistas da coordenadoria externa se deslocam para o local do crime, com um único objetivo; buscar a verdade dos fatos e elucidar o acontecido, sendo a prova técnica científica do caso, é o que explicou o diretor metropolitano de criminalística, Luis Carlos Shibassaki Figueiredo, em uma entrevista ao Circuito Mato Grosso, que procurou desvendar e conhecer o trabalho dos peritos no dia a dia.
Segundo relatou Luis Carlos, a prova técnica científica é de extrema importância para que um juiz venha a dar o seu veredito em determinado caso. A verdade do fato para os peritos, estão nos vestígios encontrados no local de crime.
“O perito quando vai para um local de crime, ele está querendo evidenciar duas coisas principais, e uma terceira que é importante. A primeira coisa, é a materialidade do crime, segunda a autoria do crime e o terceiro item, é a dinâmica do crime, que vai desvendar como o crime ocorreu, ou modus operandi do crime, por isso levantamos sempre o máximo de vestígios possíveis para buscar materialidade, autoria e dinâmica”, frisou.

Para que o maior número de vestígios seja encontrado, Luis Carlos ressaltou que é muito importante que o local do crime seja preservado. Na cena de um homicídio, além do corpo, outras provas são consideradas vestígios e auxiliam o trabalho dos peritos.
“Se a gente encontrar por exemplo, um estojo de arma de fogo no local do crime, logicamente faremos uma análise e quando encontramos o estojo, há uma possibilidade de 99% de ser de uma pistola, pois ela ejeta o estojo, já com o revólver, só haverá estojo se quem estiver manuseando precisar recarregar o revólver”, explicou.
“O estojo é importante para gente, pois se encontrarmos a arma que disparou, ela vai para a gerência de balística forense, e é feito disparos onde se coleta o padrão e se compara com o estojo encontrado no local que é o confronto balístico e saberemos que aquela arma foi responsável por disparar aquele estojo, não sabemos quem apertou o gatilho, mas sabemos que veio daquela arma”, ou seja, temos duas possibilidades de confrontos balísticos, projétil e arma e estojo e arma”, completou.
Ainda na diretoria metropolitana da Politec, para se descobrir um crime ou encontrar vestígios, outros tipos de trabalhos são realizados, como o setor de computação forense, que analisa celulares, computadores, onde o material passa por análise e há provas cabais inclusive em vídeos-games com tecnologia avançada, como já chegou à Politec para análise.
Já em situação de análise de suicídio, a técnica pericial demanda a busca de um possível homicídio, pois teria autoria.
“Buscamos no local, vestígios de homicídio, mas muitas vezes não tem, porque de fato foi um suicídio, e aí, geralmente encontramos uma carta de despedida da vítima, e se tiver vários documentos e escritas daquela pessoa, realizamos um exame chamado grafotécnico, para comparar se a escrita da carta, é mesmo da pessoa, e isso ajuda, e esse trabalho é realizado pela gerência de documentoscopia” detalhou o diretor metropolitano de criminalística.
O perito ainda explicou que há casos de homicídio que o autor tenta ludibriar a investigação simulando um suicídio da vítima.
“É comum um homicídio simulando suicídio, só que entendemos que não existe crime perfeito, e todos os crimes vão deixar vestígios muito característicos, por exemplo, as vezes aparecem algumas lesões nas vítimas, que só aparecem pós morte, então uma pessoa que cometeu suicídio e aparece com uma lesão pós morte, pode ser proveniente de alguém que mexeu no corpo depois, ou de alguém que matou em vida e tentou simular suicídio”.
Luis ainda revelou que para um perito, a cena do crime conversa com ele (perito).
“Uma vez cheguei em um homicídio onde havia uma perfuração de arma de fogo no vidro do veículo, e todos que ali estavam, disseram que o buraco no vidro era de entrada, e a gente que tem estudo experiência, deduzi que era a saída, realizei toda a dinâmica na minha cabeça e por sorte encontrei uma filmagem, e nas imagens bateu realmente com o que eu havia pensado, então assim, é estranho, mas conversamos com a cena do crime”.
Para se ter essa dinâmica e experiência, os peritos ao serem convocados, passam por um curso onde se é ensinado varreduras, técnicas, importância de preservação do local de crime, mancha de sangue, impressões digitais, entre outros.

“O perito tem isso, pois muitas vezes a materialidade é explicita, mas buscar autoria juntamente com a Polícia Judiciária Civil que vai fazer a investigação isso que é muito importante na perícia, os vestígios e descobrir a autoria do crime”, conta Luis Carlos.
Muitos peritos de acordo com Carlos, costumam acompanhar o trabalho da necropsia, pois o trabalho médico de abrir o corpo e analisar as lesões, ajuda e muito a elucidar o que foi visto na cena do crime.
“No local realizamos o exame perinecroscópico, ou seja, pegamos o corpo, mexemos, e vemos as lesões para sair com a dinâmica na nossa cabeça, agora aprofundar nos estudos dessas lesões, cabe ao médico legista, e muita vezes acompanhamos a necropsia para esclarecer os fatos”.
“Por exemplo, eu já fui em um homicídio, onde a vítima levou muitas garrafadas na cabeça, tinha várias lesões provenientes de cortes e havia bem distante, uma dessas cadeiras de ferros de bar, com mancha de sangue, e quando eu virei o corpo para o exame perinecroscópico, vi que havia um traumatismo craniano com o formato do pé da cadeira, e quando acompanhei o corpo até o Instituto Médico Legal (IML) tive a certeza após exames que a causa morte foi traumatismo craniano provocado pela cadeira, e o instrumento que matou foi a cadeira e não as garrafadas, e como era uma briga de bar, o que acontece se várias pessoas dão garrafada, eles não são os autores do crime, o autor, foi quem deu o golpe fatal com a cadeira, por isso é bastante esclarecedor na investigação acompanhar o trabalho da necropsia, e a prova pericial só pode ser repetida se ela for de maneira indireta, ou se ela for de reprodução simulada, que as pessoas costumam chamar de reconstituição”, detalhou.
O diretor metropolitano de criminalística, explicou que há uma integração e troca de conhecimento entre os peritos, e policiais militares, civis e bombeiros, além de informações compartilhadas com grupos de peritos do Brasil inteiro, e Luis Carlos ressaltou que essa troca de experiência é fundamental e ajuda no trabalho realizado no dia a dia.
Mesmo com a experiência adquirida e vários casos ao longo da carreira, Luis fez questão de frisar que cada caso, é um caso diferente, que por mais que um homicídio ou crime possa parecer, nenhum será igual ao outro, e por isso o trabalho pericial é muito importante, para saber a dinâmica e emitir o laudo oficial.
Entre os variados tipos de equipamentos utilizados pelos peritos, estão o kit trajetória laser, máquina fotográfica, luminol, scanner 3D, materiais para extração e armazenamento de dados em crimes cibernéticos, placas de vestígios, lanterna, balança, inclinômetro entre outros.
“Em um crime básico, o mínimo que um perito leva para o local é, bloco de anotações, caneta, trena, escalas de medições, máquina fotográfica, GPS para tirar as coordenadas do local, lacres, luvas, swab, estilete e refis de água destilada, esse seria o kit básico”, finalizou.





