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Patrimônio de Faissal Calil cresceu mais de 1.500% em 12 anos; evolução volta ao centro do debate após Operação Gemini

Deputado declarou R$ 385 mil em bens em 2010 e R$ 6,3 milhões em 2022; investigação aponta suposta atuação para direcionar processo ao gabinete de desembargador afastado.

O deputado estadual Faissal Calil (PL), um dos alvos da Operação Gemini deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (8), registrou crescimento patrimonial superior a 1.500% ao longo de 12 anos nas declarações prestadas à Justiça Eleitoral. Em 2010, quando disputou sua primeira eleição, o parlamentar informou possuir R$ 385 mil em bens. Em 2022, ano em que conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, declarou patrimônio de R$ 6,3 milhões.

Entre os principais bens declarados em 2022 estão uma área rural avaliada em R$ 2 milhões, um apartamento em Balneário Camboriú (SC) no valor de R$ 1,12 milhão, um imóvel em São Paulo avaliado em R$ 632,6 mil e R$ 800 mil mantidos em espécie.

A evolução patrimonial voltou ao centro do debate após o nome de Faissal aparecer entre os investigados da Operação Gemini, que apura suposto esquema de comercialização de decisões judiciais, tráfico de influência e lavagem de dinheiro envolvendo o desembargador afastado Dirceu dos Santos.

Segundo a decisão que autorizou a operação, mensagens encontradas no celular do advogado Roberto Zampieri — assassinado em 2023 — indicariam que Faissal teria atuado para auxiliar no direcionamento de um recurso ao gabinete de Dirceu dos Santos. Os investigadores apontam que a distribuição do processo ocorreu em desacordo com as regras internas de competência do tribunal e que o magistrado teria sido favorecido na condução do caso, que resultou em decisão favorável a uma das partes.

O deputado nega qualquer participação em irregularidades. “Não tem nenhuma transação econômica minha com ele. Isso aí não é verdade. Eu sou o mais interessado para que isso seja esclarecido o mais rápido possível”, declarou após a operação.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de investigados em Mato Grosso e São Paulo. Faissal Calil não foi denunciado nem condenado até o momento. As investigações seguem sob supervisão do STJ.

Lucas Bellinello

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