Opinião Renato Paiva

O Indulto em perigo

O projeto de dosimetria aprovado pelo congresso, vetado pelo Presidente e “desvetado” pelos parlamentares, está ainda sob análise do STF. Tudo indica que será mantido. Ele reduz a pena dos condenados no episódio de 8/1/23, o que não tem a menor importância. O que os parlamentares buscavam mesmo é a diminuição da pena do Bolsonaro. Se o texto for mantido, o ex-presidente deverá ficar preso cerca de 2,5 anos e depois iniciar a progressão de regime.

Mas, além da redução de pena, o que realmente interessa ao bolsonarismo é a possibilidade de o líder da família conseguir o indulto presidencial. 

Sobre isto escrevi, quando o Senador Flávio foi ungido pelo pai como futuro candidato à presidência, que do ponto de vista da certeza do indulto a decisão era boa, mas que dependia do filho ser eleito e que a aposta no “zero um” parecia muito arriscada porque as pesquisas de intenção de voto sugeriam que ele perderia para o Lula. 

Como a prioridade é a liberdade do ex-presidente, a aposta mais segura seria apoiar aquele que já na época apresentava a melhor aceitação eleitoral, o Governador de São Paulo. Pesquisas não oficiais indicavam que a dupla Tarcísio/Michelle seria imbatível.

Aí residia o problema: madrastas não costumam ser amadas pelos enteados. No caso em questão, há agravantes. Os quatro filhos do Bolsonaro (três do primeiro casamento e um do segundo) são políticos profissionais e disputam com Michelle a valiosa atenção (votos) do pai. Os quatro não admitiam a possibilidade de a madrasta tornar-se Vice-Presidente da República.

Escolhido o filho para ser o candidato, as coisas pareciam caminhar bem. Segundo as pesquisas, estava garantido no segundo turno e, em muitas simulações, aparecia com vantagem sobre o presidente Lula.

Hoje, com o caso do pedido de financiamento para o filme “Dark Horse” feito ao Vorcaro, parece que a futura eleição do Flávio está em perigo, ressalvando que ele pode retomar a dianteira porque o eleitor tem memória curta.  

É bom anotar que, do ponto de vista legal, até agora o candidato da direita não cometeu nenhum crime. Pedir apoio financeiro para o filme do pai não configura delito, mesmo que o “mecenas” seja um criminoso. 

Como este aqui é um artigo de opinião, não custa dar um pitaco: não vejo a possibilidade de o segundo turno das eleições não ser disputado por Lula e Flávio. 

A chapa mais promissora da direita, Tarcísio/Michelle, não é mais possível. Especula-se a dupla Tereza Cristina e Michelle para a qual vejo duas impossibilidades: primeira, por ser composta só de mulheres teria muitas restrições de votos; segunda, o marido e os enteados da Michelle boicotariam a iniciativa.

Os pré-candidatos Zema, Caiado e Renan Santos parecem totalmente fora do jogo como mostra a pesquisa do Data Folha de 22/05/26. Esta semana substituíram o candidato Aldo Rebelo (DC) pelo Joaquim Barbosa, mas este também não vai decolar.

Tudo indica que, mais uma vez, a direita entregará a vitória para o PT, e com ela a chance de indulto do ex-presidente.   

Renato de Paiva Pereira.

Renato Paiva

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